quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - O CHEIRO DAS COISAS



Andando pelas ruas dessa cidade tão sóbria, com esse ar tão sombrio vou sentindo o cheiro das coisas... Comparo então, com o cheiro da minha cidade. O cheiro da minha cidade é fresco e quando o vento sopra sinto cheiro de flores, além da poluiçao.

O cheiro aqui é bem diferente... Passei do musk ao cheiro de coisas antigas, empoeiradas. Senti o cheiro da camomila, do patchiolli e da alfavaca... O cheiro de carne assada nos restaurantes.

O cheiro do café não é o mesmo que sinto na minha cidade e que aguça a minha vontade...Fiquei buscando o cheiro de café. E numa das panaderias tive que ouvir que o cafè daqui era melhor que o do Brasil... Nossa, fiquei chateada, saí sem tomar café.

No Natal, no local onde fiquei tinha um presépio... E no meio das ondulações das imitações de pedras estavam escondidos vidros de óleos perfumados que foram distribuídos na virada da noite... Saiu para mim o Tabac, que cheiro gostoso, adorei!

Até as pessoas daqui tem um cheiro diferente. Gosto mais do cheiro das pessoas da minha cidade... Acho legal os brasileiros que vivem tomando três banhos por dia... Mania de tomar banho?

Ando pelas ruas e fico sentindo o cheiro das coisas e constato que o cheiro daqui nao me agrada tanto como o cheiro daì dessa terra tão formosa debaixo da Mantiqueira...Ser uma filha adotada da Mantiqueira me faz tao bem!!!

Elizabeth

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - O TANGO





Emocionante ver os casais deslizando num círculo quase imperceptivel...Nesse instante táo intenso me lembrei que Shiva e Shakti deslizam numa dança maravilhosa para criar o universo.
Essa dança, táo harmoniosa, tao sensual mais parece os movimentos delirantes do amor entre um homem e uma mulher... A uniao divina e profana entre o poder masculino e o poder feminino que se juntam num conùbio perfeito para criar a nova força.

Fiquei assistindo fascinada a esse evento no meio da praça e nesse momento, acreditei que ainda resta alguma esperança para que toda a criaçao possa ser renovada atravès do homem e da mulher numa dança de prazeres.
O Deus e a Deusa em sintonia...lembrei da Mulher Arquètipa que o Sol sempre buscou e dizia que ela jà estava entre nòs à procura do Homem arquètipo...muito doido tudo isso!
Elizabeth

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - O COMANDANTE CHE











Nao acreditei que estava indo para Alta Gracia, atè esse nome me deixou numa grande expectativa...Levantei cedo para pegar o onibus que me levaria para o lugar onde viveu o meu herói que nao morreu de overdose... Eu, que lia o seu diàrio de guerrilhas e que sempre o admirei pela coragem e pelo coraçao nobre agora estava para conhecer a casa onde ele passou a infancia.

Complicado chegar num lugar que a gente nao conhece e precisa ficar perguntando... e as pessoas nao entende a lingua da gente... um grande esforço se fazer entender...mas em qualquer lugar do mundo somos sempre os mesmos...nada muda, somos os mesmos humanos de sempre com as mesmas manias, com os mesmos hàbitos milenares, com a mesma memòria que a Natureza nos presenteou, com os mesmos còdigos ainda que confusos para alguns e claros para outros...E foi assim que cheguei na casa do Guerreiro Che Guevara...

Fiquei emocionada, chorei muito, principalmente quando vi os livros que ele lia... Eu também li alguns daqueles. Andei por toda a casa que agora è um museu...fiquei mais ou menos umas tres horas là dentro, olhando cada foto, cada objeto, cada canto da casa e do quintal imaginando o comandante por ali com suas crises de asma, foi por isso que foram morar là...Ele nasceu em Rosàrio, mas foi para Alta Gracia por causa do clima para melhorar a sua asma...ele estudou em Còrdoba...o Comandante Che que foi como Bolívar no desejo de libertar todo o povo oprimido da nossa América Latina, táo menina...
Lá estava a bicicleta e a motocicleta, a mala, o lampiáo, as roupas e os livros...Lá estavam os escritos a mao....o diàrio que ele fazia das guerrilhas...Um homem de idèias e de açao...bom, acho que sou exagerada...mas gosto do jeito que ele viveu e como se entregou em tudo que acreditava e o sentimento generoso para com o mundo...e isso vale mais que tudo...Diria alguns que isso està ultrapassado, mas o sentimento do mundo e a luta pelo bem dos humanos nao deveria ser ultrapassado...mas isso jà passou e agora ele è um personagem quase fictício...pode ser que ele nem tenha existido... Será que criamos o Che Guevara em nossa imaginaçao? Mas Alta Gracia existe e è um belo lugar!
Elizabeth

IMPRESSOES DE VIAGEM - MEU PRIMEIRO LOMITO








Em meio a obras de arte pendurada por todos os lados...e o comandante Che Guevara acima da porta...
Um lugar meio estranho com peças espalhadas pelo teto, pelas paredes, pelo chao...Os lugares aqui, todos tem esse ar antigo, quase milenar diria, se nao fosse a América tao jovem...
Mas foi aqui que devorei o primeiro lomito da minha vida...maravilhoso sanduiche!

Hummm, já fizeram os comentàrios mais picantes sobre essa aventura, que mais parece uma viagem gastronomica...

Elizabeth

IMPRESSOES DE VIAGEM - MEDIAS LUNAS OU LUNAS LLENAS




Médias lunas ou lunas llenas?

Alguém jà fez um comentário picante a esse respeito...que eu volto com alguns quilos a mais. Afinal essa é uma viagem para conhecer Córdoba ou uma viagem gastronômica?

Aqui, em todos os lugares que a gente vai sempre encontra as medias lunas e elas realmente são deliciosas...podem ser doces ou salgadas e parece uma meia lua, bem gostosa...

Saí à noite para ver o tango e comi médias lunas, mas na Praça San Martin vi a lua inteira, tão bela e tão formosa numa noite de frescor... E não contente com isso, fui ver a lua inteira cem vezes maior e paguei dois pesos por isso...nossa, sabe que me deu mais fome depois disso?

Elizabeth

sábado, 22 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - MANEQUINS MANIQUEÍSTAS!



Desde criança que tenho medo de manequins...Muitas vezes levo o maior susto quando deparo com algum na minha frente...Tenho a impressao de alguém que se faz passar por aquilo para pregar um susto em mim... E eis que estou a vitrinar na rua San Martin e dou de encontro com essas manequins infantis... Maior susto ver uma face tao humana numa pele tao ceramica. Os olhos, a boca, os cabelos de gente e a figura tao estàtica como eu, nesse instante de assombro. Valha-me os deuses!!!

Elizabeth

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - SOBREVOAR







Que sentimento mais estranho...subi aos cèus, venci o medo e fiquei estàtica...estàtica diante do azul do firmamento...Lembrei de Neo e Trinity, vencendo as nuvens negras, enxergando o alaranjado do sol...VENDO A REALIDADE!

Senti como numa brincadeira de criança e me vi sobre as nuvens de algodao e o primeiro desejo foi comê-las como se fossem algodao doce...oh, ilusao, onde estàs agora? Serà que vi a realidade por alguns efêmeros segundos? Senti isso em meu peito quando apertou e quando senti os meus olhos cheios de àgua por estar no ar...literalmente no ar...olhei là embaixo e vi uma fenomenal obra de arte...desenhos em formas geomètricas das mais variadas cores...parecia uma colcha de retalhos, daquelas calculadamente bordadas...aquela colcha de retalhos que sempre quis ter em minha cama, exatamente igual aquela que tenho desenhada em minha imaginaçao, mas que nunca soube fazer, e AGORA sei que nunca vou ter... ela jà existe de uma forma quase invisìvel... Eu a vi agora de cima e constatei que nunca vou ter porque ela cobre toda a terra...muita presunçao minha querer uma igual, nao è mesmo? Agora jà constatei tambèm o quanto sou prepotente....e como desejo o que nao possuo...desejo o sol em minhas maos e quase cheguei perto dele e uma impressao que bastava apenas esticar os braços...mas como sempre falo, de impressao em impressao Renoir fez a sua arte....mas nao fez aquela colcha que cobre a mae terra e a deixa tao caoticamente perfeita... os desenhos das montanhas, dos rios, das plantaçoes...ah, uma sensaçao de estar retirando o vèu e sobre as nuvens senti o meu pulso... e o sangue correndo mais veloz que o de costume... fiquei nesse momento completamente dentro de mim e sem aquela fumaça que embaça os meus olhos tao dèbeis, sem aquela fumaça que me separa de mim.
Elizabeth
(ñao acho o til nesse teclado)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

AS PALAVRAS TERMINAM EM MIM...


E de tudo isso que acontece com a gente, não há o que pensar, nem sentir e nem mesmo tomar alguma atitude coerente...ficamos à mercê do tempo que não existe ou dos nossos vazios tão cheios de coisas incompreensíveis.

Imagino que poderia sair dessa lama e virar uma lótus, mas estou cansada de todas as tentativas e já me cansei de procurar outras tantas que talvez conseguisse... Não apago e nem queimo, não acendo e muito menos me ascendo...fico esperando o fogo me queimar INTEIRA e virar poeira cósmica...

Quisera poder dormir de vez, já que ando sonolenta, mas o resquício de lucidez é um tormento constante... agora até entendo Nietzsche e aquela sua maldita ponte por onde não ia nem vinha....que droga!

Talvez eu fique esperando uma interferência externa já que cansei de esperar de mim... Talvez deva esperar algo fora de mim, já que esse é o único ato não realizado... será que tornou-se prepotência saber que tudo reside em mim, que tudo termina em mim e que nunca tive saída por outro lugar?
Estariam todas as minhas concepções equivocadas? Bom, se assim for resta alguma esperança? Ou seriam apenas devaneios de quem vive a devanear?

Será que preciso quebrar mais alguma coisa? Será que ainda resta algum pedaço para ser esmigalhado e está escondido nos recôncavos de mim?

Não sei se vou ou fico... Imóvel diante de mim... Esperando a palavra mágica brotar da minha boca... Ela, que a tudo varre, a tudo move e a tudo mexe... E dá movimento na ordem e no caos.

Elizabeth

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

DIANTE DO IMPROVÁVEL



Diante do improvável nos deitamos em camas de faquires, só para mostrar que as perfurações sangram....E que toda aquela história que não vai doer nada, é tudo balela...É tudo historinha para boi dormir... Bois e gente também.

Afinal o que gente tem melhor do que boi? Até hoje, não descobri essa superioridade natural... Bom, mas eu sou suspeita para falar disso, pois adoro os animais, principalmente os felinos... E sabem por que? Porque eles são muito espertos e ficam bem longe de gente... Ficam só observando esses seres de duas patas e espreitando até o momento de devorá-los, afinal, menos um significa mais um.

Mas também acho que gente não é melhor do que as plantas, pois uma rosa vermelha, com cheiro original é bem mais interessante do que gente fútil... Falando em pessoas fúteis, essa semana, observei um comentário muito interessante sobre isso: um cearense disse que prefere conversar com uma linda velhinha de 84 anos com alma de poeta, do que qualquer “patricinha” de 21, linda por fora e vazia por dentro...hahaha, ele é da legião estrangeira... Pode?

Bem, mas voltando aos umanos, também acho que eles não são melhores do que pedras... Afinal, ao caminhar por lindas estradas de terra e ao avistar uma que brilha, pinta um desejo de colecionar os brilhos... Nossa, que êxtase!!! E pensar que um diamante corta qualquer vidro e até aço... Um diamante é inconquistável! As pedras vão se polindo e se transformando sempre em coisas mais interessantes... Apesar de que os umanos também se transformam, temos que admitir, mas em coisas não tão interessantes assim... Mas gostam de grafites nos muros do mundo... Vivem grafitando tudo.

Bom, acho que estou falando mal de umanos, não posso esquecer que sou uma... ai,ai,ai, que sina!!!

Elizabeth

terça-feira, 13 de novembro de 2007

SÍMBOLOGIA


SIMBOLOGIA

A Simbologia representa tudo aquilo que não é concreto, isto é, o símbolo evoca o que é abstrato, o que está ausente. Como diz, Rubem Alves, “É a presença de uma ausência”.

O mundo está impregnado por símbolos que são universais, locais e particulares. Universal porque transcende o espaço e particular por estar ligado a uma época específica.

A linguagem simbólica é enriquecida de imagens que foram dispostas e analisadas sob o ponto de vista da alquimia, filosofia, alegoria, enfim, desencadeando diferentes teorias e interpretações, mostrando a busca incessante do ser humano em dar significado aos seus atos, tentando desvendar os mistérios ocultos da linguagem.

O ser humano busca na Ciência, na Arte, na Filosofia e no Místico o significado para todos os fenômenos. E essa busca, enriquecida ou empobrecida pela razão e pelo sentimento, vem abrindo as portas para uma nova visão de mundo no momento atual, onde se considera todos os aspectos da realidade se interagindo.

Desde os primórdios dos tempos, o símbolo vem sendo usado pelos seres humanos para expressar os seus comportamentos e atitudes, demonstrando com isso, certa plasticidade e flexibilidade tanto quanto uma rede de neurônios que se juntam e se espalham num movimento contínuo.

Os povos primitivos pisavam em símbolos e suas vidas estavam fincadas neles, o tempo todo. Suas ligações eram tão fortes como o paradoxo entre a vida e a morte num eterno conúbio. E criavam os seus micro-universos interligando, através dos símbolos, ao macro-universo.

Desde os hieróglifos egípcios até a mitologia grega, o poder e a força do símbolo, de maneira clara, agia sobre a sociedade e fazia uma ponte entre o mundo visível e invisível.

E vem caminhando desde a idade média, o Renascimento, o Barroco, até chegar à época atual, de forma incisiva. A única diferença é que os seres humanos atuais estão se desligando ou se distanciando cada vez mais do mundo simbólico por seu excesso de racionalismo e mecanicidade. Como diz Marilena Chauí “A linguagem simbólica leva-nos para dentro dela, arrasta-nos para seu interior pela força do seu sentido, de suas evocações, de sua beleza, de seu apelo emotivo e afetivo”.

O excesso de racionalidade provoca uma reação contrária, afinal, quando algo se instala e permanece por algum tempo, a tendência é decadência do mesmo, o que beneficia o outro lado da questão. Com isso, pode-se afirmar que o racionalismo está dando os seus últimos suspiros em nossa sociedade hiper moderna. Estamos à beira de um colapso, o que favorece o outro lado, isto é, já vem brotando no seio da sociedade uma busca desesperada pelos símbolos que estavam a se perder no tempo e no espaço, mas nunca se perdeu dentro do nosso inconsciente. Prova disso, podemos constatar em pleno século XXI, um ato real e ao mesmo tempo simbólico da derrubada de duas torres, que causou tumulto em todo o planeta modificando comportamentos e transformando a vida dos indivíduos, porque buscam entender o que está por trás de tudo isso. Entender um ato simbólico que causou a morte de muitas pessoas desencadeando uma guerra que vem perdurando. A sociedade e os indivíduos estão perplexos diante de tantos atos simbólicos que carregam em si e fora de si.

Elizabeth de Souza.


terça-feira, 30 de outubro de 2007

TYLER DURDEN




"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos
fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden - Clube da Luta)



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O CLUBE DA LUTA

O CLUBE DA LUTA

A angústia do ser humano em desconhecer quem realmente é e por não realizar o auto-conhecimento, leva-o a buscar alívio no cotidiano. Esse cotidiano que o acomoda e o vicia numa grande ilusão.

A confusão pertence ao ser humano... Uma condenação moderna que reflete o passado de uma humanidade, que mesmo na mais torpe miséria, “evolui”. A grande ilusão do mundo moderno torna os seres consumistas e medíocres para fugir da própria sombra, da inutilidade e da miséria. O tempo todo usando máscaras, num ritual de catarse e alívio.

O projeto inicial do ser humano, que é o auto-conhecimento e a busca de si mesmo, onde projeta o si, além do si, ficou relegado ao segundo plano. Essa falta de autenticidade condena-o à ruína e a náusea estonteante.

Essa existência reduzida traz angústia e caos. Mas essa angústia é o ponto de partida para reconduzir ao projeto inicial. Na possibilidade dessa angústia ser imparcial chega-se à reflexão sobre o esquecimento e desprezo pelo mesmo.

No momento da angústia o homem é só e está só e nada pode tirá-lo disso. Nada é causa e nada é efeito externo. Nesse momento caótico ele penetra totalmente, dentro de si mesmo, perdendo-se no Labirinto com o Minotauro no seu encalço. É preciso matar o Minotauro e encontrar o precioso FIO DE ARIADNE.

Tudo está por ser aniquilado e nada tem o valor que se atribui. Nesse momento só existe a angústia e a fumaça que confunde e ilude o tempo todo. Nesse estado de torpor abrem-se dois caminhos:

_ Ou se retorna ao cotidiano (deixando-se devorar pelo Minotauro) e com isso, o alívio camuflando a angústia;

_ Ou se transcende essa angústia, despertando (Fio de Ariadne) e dando um salto quântico.

Ao escolher o segundo caminho é possível, numa atitude de observação e análise, dar sentido ao emaranhado da existência. Através do poder da reflexão e da análise retoma-se a busca daquilo que é, abrindo o leque de possibilidades a “escolher”. Essa inquietação é criativa, mas também uma condenação do ser a estar com tudo nas mãos num estado constante de inacabamento.

Ao detectar a inutilidade do cotidiano pode-se dizer que houve uma superação da angústia. Dentro de um limite de espaço-tempo “acorda-se” para uma nova realidade que não se sabe qual é, mas com possibilidades de comprovação... Um nada, talvez! Vista com certa indiferença já que tudo é incerteza, apenas probabilidades.

Nesse momento é perceptível a vida escorrendo pelos vãos dos dedos até a hora derradeira onde advém a morte, única certeza, que parece real e plausível.

Esse impulso de vida e de morte é toda a causa do projeto inicial. Ao se refugiar no cotidiano, o homem “expulsa” os monstros que o atormentam. Na angústia, não há exclusão e sim aproximação de monstros, os mais horríveis.

No limiar da vida está a morte. No limiar da morte se encontra a vida.

A confusão se dá ao abandonarmos o projeto inicial e por isso, instintivamente agarra-se sempre naquilo que possa lembrar parcialmente do mesmo.

Eu, o reflexo de toda a humanidade, o que eu sou, você é. O outro existe para modificar-se a si mesmo. Cria-se um novo ser para a extensão de si, como um criador e uma criatura, estrutura do Frankstein. Um é o que o outro deseja ser. Encontra-se no outro o refúgio de si, mesmo quando tudo isso é monstruoso e desarticulado.

Quem é o herói, quem é o vilão?

Quem é o médico, quem é o monstro?

Quem é Teseu, quem é o Minotauro?

Quem sou eu, quem é você?

E tudo fica no limiar da consciência e da loucura...

“Só depois que perdemos tudo, é que estamos livres para fazer algo”. É preciso ser só e isso basta. A angústia, a depressão é a própria vida limitada e a guerra é espiritual...

Elizabeth

sábado, 29 de setembro de 2007

SINTO, LOGO EXISTO E PENSO FUTILIDADES!

É uma corrida louca/
Alucinante/
Quase chego ao sol/
E só o quase/
Não me deixa perdida/
Dentro de você/
Só o quase/
Faz-me lembrar/
Que estou no mundo/
E que no mundo/
Nada me satisfaz/
A vida/
O mundo/
O homem/
Todos me fragmentam/
Todos me despedaçam/
E só eu sei o jogo/
Pra montar/
Como um quebra-cabeça/
Meu Deus ( existe? Sente? É?)/
Nem o ópio/
Nem a Bíblia/
Nem a 9ª de Beethoven/
Podem curar essa dor/
Só aliviar/
Droga de existência:/
Eu queria que o Universo/
Fosse uma extensão de mim.../

Eliza/Beth





Nada pode curar essa dor, só aliviar... E o alívio está na luz, no som e na cor. Por um momento sutil sinto a poesia aliviando minha dor. E devolvo o alívio com palavras encantadas, apreciando o som e a grafia.

Nesses intervalos pueris, paramos o choro e brincamos. Enquanto os doces poetas sombrios cantam e choram músicas de dores, eu fico apenas em silêncio, apreciando. Sem movimento, escuto as canções, sentindo as delícias do prazer, do choro e da dor. Um emaranhado de gozos misteriosos! Queria falar a linguagem dos anjos inefáveis e da maneira mais pura expressar o meu gozo. Mas sou humana demais e só me resta sincronia. E as dores? Devoro-as como as ervas do meu quintal! O prazer está acima do bem e do mal? À sua sombra a luz irradia e eu penetro nas duas só para me deliciar.

E ao ver tanto sangue, derramado por entre minhas agonias, sinto apenas um desejo de lambê-lo só para sentir o gosto do vermelho, mais que o gosto, a gustação.

E essa condenação é inerente!

E nada pode me libertar!

E Prometeu é Lúcifer!

Você chora e eu brinco ou você brinca e eu choro?

A sua máscara é a minha verdadeira face e os seus sonhos, a minha realidade. E essa dor atroz que nos invade e que nos consome é o resquício perdido em Eras mezozóicas. Estúpidas lembranças arqueológicas.

Doce criatura sombria a sua poesia pulsa fúnebre num cortejo as minhas. Só a poesia nos liberta desse monstro de nós mesmos.

Não sei quem sou eu e nem você quem é, mas cresce um desejo de penetrar mais fundo nas palavras, entranha-las e faze-las brotar poesia!

Elizabeth

terça-feira, 18 de setembro de 2007

VOCÊ VAI ME PERDER PARA SEMPRE


Como poderia perder algo que já se possui?

Como poderia ganhar ou perder, dar liberdade ou usurpar se dentro de nós existe toda sorte de liberdade e toda sorte de desenganos?

Dentro de nós é tudo tão natural e não contribuímos em nada para isso. Simplesmente somos. E como tudo, não criamos e não perdemos, só nos transformamos como lagartas em borboletas coloridas, voadoras salientes que chocam nossas débeis retinas desconexas.

Mas o verbo tem poder, a palavra é forte, uma energia poderosa que se desprende das nossas bocas e não sabemos o suficiente para compreender a extensão.

Ao pronunciar “para sempre” é como se fosse eterno. Uma corrente elétrica, violenta o frescor das células, dando lugar a um calor adrenalínico. O medo ilusório encobre a consciência. O sentimento e o pensamento colhem isso como uma “verdade”. É num lapso se escuta o estrondo do trovão em meio a uma violenta tempestade sem fim. O desespero se instala levados pela ilusão do segundo.

Ao sentir você saindo de mim, espalham-se o estremecimento e a agonia em meu corpo porque não queria lhe perder para sempre. Um momento de impulso e sobrevivência.

No outro segundo, a compreensão vem chegando vagarosamente e pousa tranqüila. E só então as palavras ressoam serenas aos ouvidos mágicos de quem as escuta. E num gesto metalingüístico me estendo diante de tudo quanto é horizonte só para mostrar que sou vertical.

Só tive medo de nunca mais poder segurar suas belas mãos e nunca mais beijar seus olhos profundos e nem abraçar o seu corpo quente ou cheirar os seus cabelos molhados. Só foi isso, mais nada! Foi por isso que me tornei tão humana diante de um segundo enlouquecedor. A fragilidade me pegou de jeito, mas tudo isso é necessário para quebrar o orgulho de ser divina. Esse segundo enlouquecedor da perda, é um ritual... Uma tentativa de rompimento do elo. Um ritual de rompimento, essa mania de inventar coisas...

O nosso texto, já virou um contexto. Eu sou o poema e as palavras e depois trocamos as posições num gesto arbitrário e sincronizado. Enfim, não se distingue mais qual é o coração que bate mais forte. O seu ser me completa! E nele, está todo o entendimento dos meus impulsos decadentes. E nesse amor trivial de deuses travestidos em humanos, cavalgamos espaços em vassouras mágicas. Deuses que devoram estrelas num gesto canibalístico ou cabalístico? O desejo transcende e dança, criando universos.

O meu êxtase sem fim é sugar a sua essência, interpenetrando na minha, num gesto andrógino e intenso.

Se a profundidade é um vício, a vulgaridade é uma droga. Quanto mais profundo, mais dolorido. Não há outra saída e essa é, a única possibilidade da viagem louca para dentro de mim.

Nunca perderia você para sempre. Não se perde o que se é! É impossível romper-se. Existe por si só e sem um pingo de dó ludibria nossas mentes vãs. É o amor das mil faces que tenho em mim, estão todas entrelaçadas às suas mil. Para cada face, a outra face que nos oferecemos de graça, só para achar graça em tudo que fazemos. E não minto “quando juro amor sem fim”

O meu amor é o prana que alimenta minhas entranhas sequiosas de amplidão. É o amor de vôos etéricos, alturas plenas, abismos cósmicos, silêncio de mantrans. O feminino e o masculino num eterno conúbio, ultrapassando os limites de espaços, tornando-se uma unidade perfeita. A mesma substância e a mesma energia.

Vamos fazer de conta que está indo buscar um copo de água para matar minha sede. Vou ficar esperando a água para me saciar. Enquanto isso, Correrá o mundo, vestindo muitas fantasias, criará laços e por fim esquecerá do meu copo d’água. De repente, lembra da sua verdadeira origem que termina sempre em mim. E eu lá, esperando o copo d’água por séculos. Então, chegará o nosso novo encontro: a minha sede e o seu líquido! E não é preciso rastrear seus passos, com toques ou retoques, com tatos e contatos, apenas a percepção plena das cores, dos sons e dos símbolos. Tudo isso, porque não tenho a palavra adequada pra por na “boca malvada da sua descerebração”.

Enquanto não rompemos os laços momentaneamente, vamos passear juntos pelos jardins só para não se perder do todo. Não nos cansemos nem nos desgastemos em vão, só vamos olhar um para o outro sem se desviar, apenas e tão apenas para não se perder do todo.

Enquanto não há fusão só vamos falando da sede e da água, como um mantran que nos mantêm ligados a esse cordão invisível.

Fique mais um pouco comigo, porque o tempo e o espaço é uma mera ilusão dos nossos sentidos. Fique mais alguns segundos para que eu possa re-lembrar.

A sua presença é uma luz que irradia em mim feito néon e quando alçar meu vôo, levo você comigo arrebatando-o sem dor nem piedade, pois sei que está ligado a minha natureza cruel. Uma luz que jamais se extinguirá! Elizabeth

domingo, 9 de setembro de 2007

NOBRE GUERREIRO

Caminho trôpega pelas estradas humanas, com o tédio dos que não encontram a plenitude.

Afinal, o conhecimento me alimenta cá e me deixa faminta acolá.

Vivo caminhando insaciável, parando em todos os oásis que encontro... Com essa fome inexplicável, de fruta que não existe... Tudo tão incerto e ao mesmo tempo tão definido.

Entremeio a esses paradoxos, meu ser, num "desespero agradável" se envolve na mais pura realidade: apenas ser e mais nada.

Permaneço como uma efígie criada por mim mesma em meio a uma multidão de seres multiplicados.

De repente, algo inusitado, alguém tão parecido... Será uma miragem? Fico muda e sem ação. Uma semelhança que entorpece e inebria.

Não consigo compreender essa raridade e quando não se conhece o âmago das coisas, ficamos à mercê das dúvidas mais cruéis. Dúvidas que movem e a tudo gira.

Nessa roda de Sansara que pode ser o seu último giro. E por que afirmo isso? Invejo seu destino, nobre guerreiro, quem me dera fosse o meu último também, e definitivamente, pudesse inexistir. Mas sei, sinto a condenação ao degredo, e a busca do verdadeiro ouro e do verdadeiro elixir. Mas é tão difícil distinguir entre eu e eu, não é mesmo? E entre eu e você?

Fico então sem palavras e sem ação... No mais torpe dos anseios em desvendar esse mistério... Ao mencionar sua força de Guerreiro Xamâ, dá ênfase à minha fragilidade... E quando demonstra sua fragilidade, desperta minha força. Que simbiose mais estranha! E eu, fascinada pela força masculina, ousada e determinada... Perco-me em devaneios tolos, diante da graça e da beleza. Mas, pensar não é a melhor solução, melhor seguir os instintos. Fico divagando sobre esse fascínio que exerce sobre mim. Seria isso o resultado de um feitiço tão poderoso?

Viver atraída pelas Forças da Natureza, resulta nisso... Estou aqui, inebriada com suas palavras de encanto. E como desencantar, se não tenho o Caduceu de Mercúrio? E nem asas nos pés para fugir? O sabre de luz foi lançado num espaço desconhecido e o cálice sagrado arde-se em fervuras vaporosas. Tudo está fora. Dentro, só tenho essa vaga noção de onde estou e que tudo é uma mera ilusão dos meus sentidos, sem sentido...

E aquilo que parece ser, não é! Então, o que realmente é?

Elizabeth

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A CONSCIÊNCIA DESPERTA


Ao sentir a vida humana tão limitada, consigo por entre as brechas mais diminutas, enxergar a essência encoberta, quase definhando, quase desaparecendo. O seu ponto ínfimo de luz ainda clareia a minha consciência, remexendo a pontinha da cauda da serpente, o que me faz em delírios diante do Universo, da Vida e do Ser. Isso é fugir à realidade e medo de sofrer, dizem alguns. É o espírito de aventura do descobridor, que reside em mim. Quero ver o ponto de luz no meio da escuridão. Vislumbrar todas as cores contidas no branco. Desejo incontrolável de penetrar na parte e na contraparte, na face e na contra face, no espelho e na imagem. E não me dou por satisfeita e quero reunir as duas partes e transforma-las em uma só e ao mesmo tempo numa terceira. No absoluto? Esse navegar pelo relativo me é tão entedioso e fugaz. O prazer é relativo!!! A dor também é... Quero o verdadeiro prazer, aquele que é a síntese de todas as partes. E se não posso tê-lo, prefiro o nada que me contem. Medo se sofrer? Não! É não dar o gosto, é a rebeldia, é a revolta de ter tão pouco. Prazer? Dor? Eu compreendo o fino fio que os separa, e por isso quero ir além. Utopia? Nunca trilhei outro caminho a não ser o da busca incessante por ultrapassar a velocidade da luz. Uma desventurada aventura de saber quem sou eu, o que sou e para que, sou. A única coisa que sei é que preciso de Sacros Ofícios para vencer os deslizes, as viagens, os apegos. E principalmente, é preciso coragem e destreza para roubar o fogo do diabo, que não está em outro lugar, senão dentro de mim mesma. Céu e Inferno dançam ciranda em minha psique, uma parte dessa néscia criatura, que busca o fogo incessante para queimar-se por inteira. É Fohat, tudo está em mim e isso é um fato, questionável pela incompreensão da natureza humana.

Basta fechar os olhos e vislumbrar o verdadeiro ser. Basta tampar os ouvidos e ouvir o verdadeiro som, o verdadeiro verbo, basta calar os sentidos, para sentir a verdade, quase absoluta. Um átomo de vida que parece inatingível. Energia atômica e eletrônica se entrelaçando num emaranhado de teias, num movimento caótico e desordenado.

O teatro, a pantomina faz parte do meu cotidiano... Uma brincadeira de criança. Brinco dia e noite e essa é a contraparte da aventura tão séria, da qual estou arraigada e flutuante. A trajetória do vôo, parece brincadeira e nos faz rir feito loucos... Gargalhar da ironia desse destino sem destino, que está destinado a nada, pois o mergulho é peculiar e só os bons nadadores voltam à tona para contar como é o fundo do poço.

Quando ouço falarem dos homens e da vida, me dá uma tontura filosófica, não por incompreensão ao que é dito, mas porque conseguem torná-la mais trágica ainda. E uma dor profunda junto a uma leve impressão que não vamos entender o fogo e a luz, que são os únicos botes salva vidas... Barco... Arco ou arca?

O fogo que queima e devora, precisa ser devorado. A luz que tudo atravessa, precisa ser atravessada.

A eloqüência, tão bela ferramenta da laringe criadora pode jogar a humanidade mais fundo do que já está, mas também pode levantar os seres no mais alto das montanhas azuis com puro oxigênio.

As ondas luciféricas, tão necessárias, me fazem levantar a cabeça e enxergar mais um vão, por onde caem as criaturas. E a guerra santa, inicia-se de forma brutal. E cada partícula do ser e a sua contra partícula buscam o conúbio... Expressam, no mundo físico, Eros e Psique, os habitantes do mundo multidimensional que está muito além do bem e do mal.

Quando penso, sinto, sou, escrevo é para expressar a minha essência da forma mais completa que puder. Uma essência incontida, dentro de uma matriz na matrix.

A Grande Lei manifesta-se no meu mundo micro-cósmico nas atitudes mais pueris como na formação de conceitos, os mais complexos. Eu sou o átomo e a molécula e o pulsar do meu sangue é o mesmo pulsar dos quasares. Tudo é a mesma energia, a mesma substância. Como negar o óbvio? Basta olhar o céu numa noite estrelada e ver a si mesmo estampado no espaço, numa proporção tão diminuta, que chega a doer.

Contradições? Incoerências? Estamos todos fincados nisso como gosmas grudadas, porque não temos Consciência desperta.

Consciência para captar no momento, todo o evento, em sua plenitude. Não basta detectar para depois comprovar... É preciso viver, ser e saber naquele momento, sem perder nenhum detalhe.

A velha e a nova ordem mantida pelo desejo e a vaidade estão à beira dos destroços... Quero saber, tim-tim por tim-tim o que fica por trás da minha cabeça e da cabeça do outro, porque o outro é a extensão de toda experiência.

Quando vivo e experimento as duas faces de uma mesma moeda é para transcender as multiplicidades e penetrar a unidade. Essa aventura de entranhar a menor partícula, é um desejo banal de ser o átomo viajando no elétron.

Enquanto isso não se dá, a aventura é um ensaio e erro constantes e as conclusões variam conforme os sentidos e vão desde o intelecto até as intuições mais puras.

Bom, comigo ou sem migo, com isso ou sem isso é preciso ser forte, porque só os fortes sobrevivem a esse impasse. A busca é uma ânsia louca que só aos loucos pertence e eu vivo nessa loucura...

Elizabeth

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ONDAS DIONÍSICAS



Você não é você, não é ele, não é nada, ninguém.

Mas é, nas entrelinhas desse olhar bestial, mestre nos disfarces humanos. Esconde-se de tudo, de mim, mas o vejo de perfil, permeio seus gestos artificiais e suas brincadeiras cruéis.

A pele é macia, a figura, uma fantasia de filme de época.

O corpo leve, como uma brincadeira de criança. A energia sutil e perigosa, bastaria tocar na pele do seu rosto para sentir a realidade.

Você ri da minha ingenuidade, do meu gesto infantil.

Quisera tocá-lo profundamente, mas está tão distante, foge dos meus encantos e o seu canto só eu sei, é o cântico dos cânticos.

Aparece e desaparece, passa o tempo brincando e eu o cultuo, presto minhas reverências, sentindo o auspício da sua presença.

Você me dá uma chave e um corredor com muitas portas. Eu corro ansiosa, tentando uma por uma. Volto o rosto, escuto sua risada sarcástica.

É um enigma perigoso... Vejo no canto da sua boca, além da prova real, escorrer o vinho que me embriaga. E na busca da liquidez do delírio, perco a razão.

A lucidez dá lugar ao êxtase, sinto-me só, mas não causo pena. Você espera o meu triunfo num carro amarelo com sete velocidades diferentes. Não me dá o privilégio de tocar-lhe o âmago; não me dá de beber do seu êxtase, sem limites.

Vem em ondas, deslizo devagar... Um suor quente escorre pelo meu pescoço, sinto as pernas vibrarem, não consigo controlar.

As pernas entre pernas, são as minhas próprias penas, arraigadas ao pó da terra, não me permitem voar.

Sacia-me com essa liquidez avermelhada e num gesto mutante, crio asas como Pégasus.

Deixe-me flutuar no éter até o Sol de Sírio, em troca, só tenho um girassol.

Não aprecio do seu vinho? Não conheço o seu sabor? Não distinguo o seu cheiro? Não reconheço suas ondas?

Ensina-me então, a Ciência/Arte da transmutação...

Então você me olha, com esse olhar humano, disfarçando o brilho, usando um corpo falso, uma pele falsa, pernas como tantas pernas, tanto quanto iguais as minhas, para me enganar.

E eu, choro... Por não alcançar sua essência, penetrar o seu íntimo, tornar-me o elétron e desvendar os mistérios da criação.

Com esse olhar bestial, olhar dos deuses hilariantes, não me traia doze vezes, não me castigue dezesseis, mostre-me a verdade, tal como é...

Abaixe a cortina, quero vislumbrar a beleza plena da luz, fale comigo e me leve até a porta... Então, abraça-me apertado e beije meu umbigo... Segure nas minhas mãos e nunca me deixe. E num gesto impulsivo, me gire no espaço, Virtual Criatura Andrógina, transmutando-se em pura energia eletrônica e despedaçando-me em sons mágicos.

Elizabeth

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

POETAS E LOUCOS


Onde estão os deuses travestidos em humanos?

Com razão de ser tal qual, ilusões?

E tudo cai por terra como um furacão que passa devastando... E no seu centro o equilíbrio silencioso, centrífugo.

E olhei aquela arte, sem sentido de arte!

Não enxerguei o concreto no meio da poesia.

Não enxerguei a pintura e tive a leve impressão que tudo era fútil, naquela exposição. E fui num ponto, acima da referência pra ter uma outra visão, mudar de opinião... Não enxerguei nada, além da minha miopia.

Adentrei a sala... A poesia está dentro? Ou fora?

Que droga, não estou conseguindo enxergar o extraordinário. O que está faltando?

Os diálogos são os mesmos, os gestos, os movimentos, os olhares, as bocas entreabertas soltando letras ao vento. Parada, fico a ouvir, a mesma coisa que escuto há milênios.

De repente, não ouço mais os diálogos intermitentes. Agora, ouço uma melodia. O cantor me levou ao centro, ao centro do ser e algo me tocou fundo. Seria o som? Seriam as palavras? Não sei dizer! São metáforas.

Sentei meio atordoada, olhei meio desconcertada para a doçura destilada. O coração apertou, a alma caiu num doce de leite, fiquei petrificada. A música foi se alastrando em mim e fui me transformando em melodia e o cantor sorria. Ele parecia ser o dono da história e da minha situação.

Quando parou de cantar, caí por terra e lamentei o fim do êxtase.

O que vale é a criação? É derramar-se em sementes pelo chão? Cristalizar estrelas ou flores, em delírios incomuns?

Já que tudo é tão rápido e fugaz, fujo desse lugar para qualquer outro que não entendo, dá tudo na mesma.

Depois de ouvir Garcia Lorca, saí para a rua sem sentido, acompanhada por um existencialismo exumado, jogado de volta ao túmulo.

Os homens tão apressados, desconectados de eloqüência e eu já não me sinto uma casta diana... Senti algo frívolo, fugaz, contemporânea ao tempo absurdo das coisas vãs.

Caminho pensando num poema e aquele louco do meu lado...

Às vezes, não compreendo as mensagens do Universo, operando em mim. Olhei pra lua, acho que começa a crescente e não recebi nenhum recado. No caminho tomei uma sprite e aquele louco do meu lado. Senti-me jogada, o Universo não fala comigo, não me dá o sentido das coisas como são, tal como aquele sonho que me impressionou.

Atravesso a rua, desconsolada e aquele louco do meu lado, vou buscar um pouco de dinheiro. Talvez, eu até perca o ônibus, ai que fila no caixa eletrônico. Muita gente... Muito tarde... Vou perder o último ônibus.

De repente, um por um vai saindo da fila, caiu o sistema daquela droga... Não sai uma nota, fala o pessoal. Anoto no meu caderno: “Hoje não é o meu dia”. Não tenho dinheiro nem para o ônibus. Todos foram embora, até o meu desejo de jogar um coquetel molotov naquele caixa. É o último sortilégio. Entro no caixa. Então, o Universo comunica-se...As fadas cederam, o desejo venceu, o Universo concedeu. Fiquei em êxtase! Dei um tempo. O sistema voltou. Só, peguei o dinheiro, com aquele louco do meu lado. Num lapso de segundos, me lembrei do Léo e aquele desejo ardente num corpo semi-nu, cheio de uma energia masculina. Bastou olhar e se apaixonar. Uma química voraz, um desejo incontrolável de acariciar aquela pele morena com cheiro de fruta que não existe. Naquele momento, o universo concedeu e eu me recusei só por causa da vulgaridade. E hoje, no entanto, achei a poesia uma gosma! Lembrei do Leo, tão vulgar e a minha abominação em prol da poesia. E hoje, a poesia não era tão intensa assim...não entendo essa sina!

O sorriso sarcástico, mas a pele morena com aroma de fruta... E o desejo ardente de um leão... Acho que são signos ocultos! Um desejo infame de ser adorado, ainda mais por alguém que sabe adorar...

Ah, quantas atitudes bestiais... Consegui pegar o dinheiro, já posso voltar para casa e dormir. Dormir na eternidade!

Quanto mais desejo a claridade, densas trevas me rodeiam. A chama é sempre minúscula... Quando vou penetrar no todo e me devorar?

Elizabeth

domingo, 29 de julho de 2007

HERÓI DE MIL FACES

Sempre vou aparentar utópica e infantil, em tudo o que faço, mas é a minha natureza e não posso negá-la. A negação seria render-se a hipocrisia.

A fragmentação e a confusão em que me embrenho é visível aos olhos de todos.

Lanço as coisas de longe para não atingir com muita violência. É preferível, ás vezes, que permaneça no ar, do que atingir mortalmente.

O princípio de liberdade é fundamental ao ser humano. É ela quem me dá o ímpeto para viver. Sem ela, sou estéril e infrutífera. É gostoso dar frutas e desfrutar.

Estou sempre surpresa diante das faces encobertas... Minha sina é retirar o véu e enxergar o herói incisivo de cada um. O ato de heroísmo, na maioria das vezes está dentro de si e não na bravura ou na valentia externa.

O herói na sua saga, silencia peripécias e nem sempre é um ato grandioso como os mitos... É aqui e agora! Enfeitamos com mitologia, as verdades penetrantes. A beleza da verdade não condiz com a realidade trivial e por isso a encobrimos com muitas teorias.

Por que será que somos tão indecifráveis?

Pergunto, pergunto e as respostas sempre distantes... Talvez fiquem nas estrelas, que brilham e seduzem. Fico então a observá-las, hipnotizada pelos seus mistérios longínquos. Entristeço-me em desconhecer os segredos, então penso no encanto de não saber das coisas e isso supera e alivia o coração dilacerado.

Os pés, não fincados no chão, devaneiam por sobre toda estabilidade, suspensos no ar. E ao vislumbrar todo mistério, estremeço e caio como uma pluma pela terra dos homens. E ao tocar com os pés no chão, sinto forças para dar novos saltos quânticos. É um impulso excitante...

A linguagem é a expressão de todo pensamento mais íntimo e intenso. E ao usá-la , minha essência desabrocha, saindo de um mundo paralelo. Salta para os ouvidos mágicos de quem as compreende.

Depois de tudo, só os verdadeiros heróis são capazes de apreciar. É preciso ter os olhos de uma criança para ver a beleza do universo.

ELIZABETH

quarta-feira, 18 de julho de 2007

ANDRÓIDE POSSUIDOR DOS ANÉIS DE SATURNO



Se pudesse falar das coisas de forma plena, sem fragmentos, sem grandes agonias ou intensos impulsos, no rosto passivo, contemplaria o vazio. No entanto, o coração pulsa rápido, num desatento compasso, caindo passo a passo, num desatino. Voando para além de tudo que é real.

A palavra move, crava crivos e clavas em peitos frágeis; cravos e travas em mãos de ferro; cacos e pregos em pés de bronze, num corpo incendiado pela loucura, aliada à cumplicidade.

A palavra penetra no fundo, mexe na inspiração e na expiração, tornando os seres espiralados caóticos e multidimensionais. E os rios de vida deslizam tranqüilos, como sonhos, que começam a fervilhar feito pesadelos.

Será a pulsação do sangue que borbulha até a ponta dos dedos? E oferece o fogo para queimar-se vivo? Deuses! Salvem e resgatem a todos de tão torpe heresia.

Fogo sagrado! Elimine esse atroz destino, em mãos inocentes. Triste sina dos amigos do finito tempo de espera.

Criam-se símbolos, palavras, poesias e canções, para dar significado às humanas vidas inúteis. É tudo insignificante, difuso, confuso e então, cria-se o sagrado e o profano junto a artimanhas cheias de teias e esteios, para não perder o significado... Para não perder a vida.

Não há vencedor, nem vencido. Vive-se a mesma dor, denominador comum. Vive-se o mesmo contexto descontextualizado, das frágeis memórias fracassadas pela inconsciência.

Todos têm a mesma trágica história, não por privilégios, mas por condenação.

Não há vaidades nisso, só certa dor ou asco. Não há indivíduo dramático, a aventura humana que é...Todos, a derramar o sangue e a linfa em atos reais e simbólicos. Saem, do eu para você, do você para o nós, com uma mobilidade invejável, como se tudo fosse a mesma coisa, sem nenhum parâmetro ou preconceito.

Os “instintos” dizem que há unidade na multiplicidade e sabe-se, tanto um como outro, que nada é por acaso. Até o lançamento de um olhar tem os seus significados ocultos, mistérios insondáveis da natureza humana.

Não adianta perder-se em teorias quando se foge ao óbvio. É preciso ver o evento em tempo real e ao mesmo tempo dentro da relatividade do tempo. Todos, massa e energia, a única diferença é a cultura inútil. Então é inútil sentir-se acima dos minerais, vegetais e animais. É uma bela irmandade!

Guerra incessante, a verdade é que todos são espelhos insanos no qual se projeta a imagem retorcida e umbralina da decadência.

Quem busca na aventura humana todo o sal da terra está condenado a andar no fino fio da navalha. Nessa perigosa aventura não há passado nem futuro. Só o presente, de presente e essa, é a única coisa a oferecer, não descartando a possibilidade de ser tão pouco.

Encontram-se no mesmo barco, atravessando o limite entre a consciência e a loucura. Atravessando o labirinto, com a esperança de retornar intactos pelo fio da Ariadne.

Os vaidosos perdem-se e os distraídos não sabem por onde caminham.

Ao trilhar o fio da navalha, aprende-se com as observações, análises e intuições que não se podem afirmar nada sobre nada e que os paradigmas passam conforme o tempo e o espaço.

Sabe-se da verdade absoluta, que ninguém tem direção nem constância, portanto, vazios de qualquer atitude ou circunstância determinada. Passa-se pelo bem e pelo mal só pelo prazer de provocar os dois.Na verdade é o paradoxo que atrai e não a determinação de uma concepção do mundo.

Concebe-se o mundo, eternamente delineado pela dualidade que é uma lei física e metafísica. Busca-se a síntese pelo prazer da transcendência.

Energia eletrônica e atômica em si e fora de si. Não cabem as determinações quando turbilhões de movimentos, interpõem-se diante das concepções e paradigmas. Nesse turbilhão, vislumbra-se uma ordem implícita e o deleite das sensações mais puras, sobrevive às turbulências, explicitando a ordem cósmica.

De situações em situações, sentindo e intuindo, analisando e transformando tudo a cada segundo, sem nunca perder a capacidade de espanto e admiração.

A capacidade de assombro diante de qualquer fenômeno ou movimento é tal, que parece ser drama ou exagero. Na verdade, a expressão plena das sensações mais puras, dos sentimentos mais nobres, dos pensamentos mais profundos e dos movimentos mais dúbios...enfim, o ser e o não ser.

Elizabeth

segunda-feira, 16 de julho de 2007

AMIGOS ARQUINIMIGOS


Estava o monge num instante de profundo silêncio em meio a uma turbulenta tempestade de areia.

Tempestade chefiada por sete malfeitores, sete colunas de seres multiplicados.

Essa legião roubava as donzelas do reino e as encerravam em garrafas de vinho, vazias... Esvaziadas em orgias e bacanais. Entornavam o precioso líquido das taças de cristais, roubadas dos palácios.

De repente, lembrou-se o monge, do seu poderoso Mantra que acalmava qualquer tempestade. Ao pronunciá-lo, as legiões, viravam estátuas no mesmo instante. Os líderes revoltados desceram dos seus cavalos, tampando seus ouvidos com as palmas das mãos, dando assim, uma pausa nas investidas.

Era uma guerra... Atacavam e eram atacados, venciam e eram vencidos, capturavam donzelas que depois eram libertadas, enfim... Uma história sem fim.

Ficava ali sentado, o santo Monge, assistindo a si mesmo desdobrando-se em imagens tumultuadas... Mal sabia que a Loucura, sua mais poderosa adversária, o espreitava por entre os arbustos daquela imensa floresta do reino. Dirigia toda sua força para provocar e distrair o “santo”

Mas a cada passo que dava para aproximar-se do Monge, o som ficava mais distante. Intrigada com tal fenômeno, saltou, com seu sorriso sarcástico, na frente dele. O susto o emudeceu e ficou a contemplar a medonha figura descabelada.

Ela, cheia de fúria, por mais esse fracasso, sentou-se ao lado do monge e ali permaneceu em silêncio, conformada.

Ainda não foi dessa vez, pensou...

Quanta criação de imagens, quantas efígies inúteis... E mais uma vez ficou sem a Sacolinha Púrpura e o Mantra que tanto quer apoderar-se.

Quanta luta inútil, quanta batalha por um instante de serenidade e ali estava ele, com todos esses instantes, de graça. Ele sorria como uma estampa sem cor, um quase cinza tranqüilo.

Por que seria o destino tão cheio de graça para alguns e para outros, uma desgraça?

Só bastavam alguns grãos daquela areia fina, para lhe dar o sono necessário. Poderia eliminar essa insônia desejada, os olhos doloridos por buscar a claridade, olheiras intensas e imagens distorcidas. Era preciso aliviar tanta vigília inútil e dormir a eternidade. Permanecer sem sonhos nem pesadelos, apenas um nada flutuando no éter, eternamente.

Queria apenas a inexistência e sua única chance estava encerrada naquela sacolinha púrpura e nos lábios daquele “inocente”. Ele nem sequer usava aqueles objetos tão preciosos e tão cobiçados, no entanto, era o dono absoluto da sacola.

Dádivas e dívidas... E dúvidas!

Inúteis questões que levavam a Loucura a loucura!

O tédio era tanto que nem se permitia usar a violência para tomar.

O Monge, cansado daquele mórbido silêncio resolveu manifestar-se com uma historinha vaga (será que ele conhecia o ponto fraco da Loucura?).

E dos seus lábios, foi destilando um doce veneno e a Loucura foi sorvendo e se embriagando, esquecendo a própria sina.

Num lapso de segundos imperceptíveis, o Monge, num gesto de loucura, levanta-se e inicia seu caminho para lugar nenhum.

A Loucura, hipnotizada pelo conto, esqueceu o que buscava. Atordoada pela doçura da voz nem percebeu o desaparecimento do monge, diante dos seus olhos.

Ao perceber o embuste, furiosa, jurou vingança eterna, ainda que isso lhe custasse o resquício de lucidez.

Bem, a Loucura foi tomar um lanche à base de nozes, para se distrair... Depois então, planejaria uma nova forma de roubar a sacolinha.

Afinal, seria loucura ficar sem comer o dia inteiro perseguindo Monges com sacolinhas.

Elizabeth

quarta-feira, 27 de junho de 2007

O PÉ QUE EXISTE EM NÓS

Tocou-lhe os seios, o ventre, as pernas, as nádegas e pode sentir todos os orgasmos possíveis, mas não tocou seu coração, nem atingiu sua alma solitária.

Sabia agora, que só a morte, somente esse fantasma poderia despertar o seu sono profundo. Somente essa quimera poderia penetrar o seu âmago, numa atitude visceral. E então, todos os orgasmos reunidos, todos os impossíveis numa corrente elétrica usurpar-lhe-iam a vida, criando a verdadeira vida-morte-vida.

Mas qual o quê! Era ainda, comum a sua vida. Teve vários orgasmos reunidos numa cadeia infinda, isso para encadear os segundos, os minutos, as horas, os dias, as semanas, os meses, os anos, enfim a vida, num crescente estado de intensidade...mas em vão.

Seu olhar vago percorria pelo escuro do quarto. Não lhe saia do pensamento a banalidade de ser tão pouco. A respiração do outro era tão comum como a sua própria...nem sequer passava por sua mente alguma ira, nem vivia pela mentira.

Enquanto o outro dorme, essa cria da natura, do diabo e da loucura sai mansamente em direção ao nada.

Caminha na multidão, quieta, estóica, com os olhos carregados de um brilho indiferente. Faz parte da série, mas está profundamente cheia de si mesma. Entra num prédio...automaticamente aperta o botão do elevador...seu ventre sobe e desce...está totalmente voltada para si mesma.

A porta abre agressiva chocando as entranhas da estranha criatura. Adianta um passo...Entra! O elevador está cheio de gente, mas ela continua só com seu mundo anárquico. Com seu mundo em chamas...chamas dilacerando as próprias vísceras.

O elevador sobe rápido como os pensamentos que se amontoam e se confundem na luta contra o tempo. No rosto de todos, o cansaço. O cansaço da demora da rapidez do elevador. O seu, está passivo, sem pressa. As pessoas vão saindo a cada andar e vai diminuindo o número de possibilidades de não ser só.

Último andar: só resta ela! Sai devagar, serena e indiferente a tudo que a rodeia. Para... Olha o azul do céu, quase pode tocá-lo com as mãos. Depois olha para baixo...As pessoas são tão pequenas e longínquas. Depois olha novamente para o azul que a empolga, numa atitude bestial. No rosto, antes estóico, paira agora um ar de estremecimento ou talvez náusea, quem sabe? Quase pode tocar o céu e lá embaixo uma multidão correndo em séries multiplicadas.

Depois um salto leve... Quase sem motivo de ser. Quer juntar-se ao pó, única substância que conhece com tanta intensidade.

E como uma pluma vai flutuando, até alcançar a plenitude da vida...

Elizabeth