sábado, 22 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - MANEQUINS MANIQUEÍSTAS!



Desde criança que tenho medo de manequins...Muitas vezes levo o maior susto quando deparo com algum na minha frente...Tenho a impressao de alguém que se faz passar por aquilo para pregar um susto em mim... E eis que estou a vitrinar na rua San Martin e dou de encontro com essas manequins infantis... Maior susto ver uma face tao humana numa pele tao ceramica. Os olhos, a boca, os cabelos de gente e a figura tao estàtica como eu, nesse instante de assombro. Valha-me os deuses!!!

Elizabeth

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

IMPRESSOES DE VIAGEM - SOBREVOAR







Que sentimento mais estranho...subi aos cèus, venci o medo e fiquei estàtica...estàtica diante do azul do firmamento...Lembrei de Neo e Trinity, vencendo as nuvens negras, enxergando o alaranjado do sol...VENDO A REALIDADE!

Senti como numa brincadeira de criança e me vi sobre as nuvens de algodao e o primeiro desejo foi comê-las como se fossem algodao doce...oh, ilusao, onde estàs agora? Serà que vi a realidade por alguns efêmeros segundos? Senti isso em meu peito quando apertou e quando senti os meus olhos cheios de àgua por estar no ar...literalmente no ar...olhei là embaixo e vi uma fenomenal obra de arte...desenhos em formas geomètricas das mais variadas cores...parecia uma colcha de retalhos, daquelas calculadamente bordadas...aquela colcha de retalhos que sempre quis ter em minha cama, exatamente igual aquela que tenho desenhada em minha imaginaçao, mas que nunca soube fazer, e AGORA sei que nunca vou ter... ela jà existe de uma forma quase invisìvel... Eu a vi agora de cima e constatei que nunca vou ter porque ela cobre toda a terra...muita presunçao minha querer uma igual, nao è mesmo? Agora jà constatei tambèm o quanto sou prepotente....e como desejo o que nao possuo...desejo o sol em minhas maos e quase cheguei perto dele e uma impressao que bastava apenas esticar os braços...mas como sempre falo, de impressao em impressao Renoir fez a sua arte....mas nao fez aquela colcha que cobre a mae terra e a deixa tao caoticamente perfeita... os desenhos das montanhas, dos rios, das plantaçoes...ah, uma sensaçao de estar retirando o vèu e sobre as nuvens senti o meu pulso... e o sangue correndo mais veloz que o de costume... fiquei nesse momento completamente dentro de mim e sem aquela fumaça que embaça os meus olhos tao dèbeis, sem aquela fumaça que me separa de mim.
Elizabeth
(ñao acho o til nesse teclado)

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

AS PALAVRAS TERMINAM EM MIM...


E de tudo isso que acontece com a gente, não há o que pensar, nem sentir e nem mesmo tomar alguma atitude coerente...ficamos à mercê do tempo que não existe ou dos nossos vazios tão cheios de coisas incompreensíveis.

Imagino que poderia sair dessa lama e virar uma lótus, mas estou cansada de todas as tentativas e já me cansei de procurar outras tantas que talvez conseguisse... Não apago e nem queimo, não acendo e muito menos me ascendo...fico esperando o fogo me queimar INTEIRA e virar poeira cósmica...

Quisera poder dormir de vez, já que ando sonolenta, mas o resquício de lucidez é um tormento constante... agora até entendo Nietzsche e aquela sua maldita ponte por onde não ia nem vinha....que droga!

Talvez eu fique esperando uma interferência externa já que cansei de esperar de mim... Talvez deva esperar algo fora de mim, já que esse é o único ato não realizado... será que tornou-se prepotência saber que tudo reside em mim, que tudo termina em mim e que nunca tive saída por outro lugar?
Estariam todas as minhas concepções equivocadas? Bom, se assim for resta alguma esperança? Ou seriam apenas devaneios de quem vive a devanear?

Será que preciso quebrar mais alguma coisa? Será que ainda resta algum pedaço para ser esmigalhado e está escondido nos recôncavos de mim?

Não sei se vou ou fico... Imóvel diante de mim... Esperando a palavra mágica brotar da minha boca... Ela, que a tudo varre, a tudo move e a tudo mexe... E dá movimento na ordem e no caos.

Elizabeth

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

DIANTE DO IMPROVÁVEL



Diante do improvável nos deitamos em camas de faquires, só para mostrar que as perfurações sangram....E que toda aquela história que não vai doer nada, é tudo balela...É tudo historinha para boi dormir... Bois e gente também.

Afinal o que gente tem melhor do que boi? Até hoje, não descobri essa superioridade natural... Bom, mas eu sou suspeita para falar disso, pois adoro os animais, principalmente os felinos... E sabem por que? Porque eles são muito espertos e ficam bem longe de gente... Ficam só observando esses seres de duas patas e espreitando até o momento de devorá-los, afinal, menos um significa mais um.

Mas também acho que gente não é melhor do que as plantas, pois uma rosa vermelha, com cheiro original é bem mais interessante do que gente fútil... Falando em pessoas fúteis, essa semana, observei um comentário muito interessante sobre isso: um cearense disse que prefere conversar com uma linda velhinha com alma de poeta, do que qualquer “patricinha” linda por fora e vazia por dentro...hahaha, ele é da legião estrangeira... Pode?

Bem, mas voltando aos umanos, também acho que eles não são melhores do que pedras... Afinal, ao caminhar por lindas estradas de terra e ao avistar uma que brilha, pinta um desejo de colecionar os brilhos... Nossa, que êxtase!!! E pensar que um diamante corta qualquer vidro e até aço... Um diamante é inconquistável! As pedras vão se polindo e se transformando sempre em coisas mais interessantes... Apesar de que os umanos também se transformam, temos que admitir, mas em coisas não tão interessantes assim... Mas gostam de grafites nos muros do mundo... Vivem grafitando tudo.

Bom, acho que estou falando mal de umanos, não posso esquecer que sou uma... ai,ai,ai, que sina!!!

Elizabeth

terça-feira, 13 de novembro de 2007

SÍMBOLOGIA


SIMBOLOGIA

A Simbologia representa tudo aquilo que não é concreto, isto é, o símbolo evoca o que é abstrato, o que está ausente. Como diz, Rubem Alves, “É a presença de uma ausência”.

O mundo está impregnado por símbolos que são universais, locais e particulares. Universal porque transcende o espaço e particular por estar ligado a uma época específica.

A linguagem simbólica é enriquecida de imagens que foram dispostas e analisadas sob o ponto de vista da alquimia, filosofia, alegoria, enfim, desencadeando diferentes teorias e interpretações, mostrando a busca incessante do ser humano em dar significado aos seus atos, tentando desvendar os mistérios ocultos da linguagem.

O ser humano busca na Ciência, na Arte, na Filosofia e no Místico o significado para todos os fenômenos. E essa busca, enriquecida ou empobrecida pela razão e pelo sentimento, vem abrindo as portas para uma nova visão de mundo no momento atual, onde se considera todos os aspectos da realidade se interagindo.

Desde os primórdios dos tempos, o símbolo vem sendo usado pelos seres humanos para expressar os seus comportamentos e atitudes, demonstrando com isso, certa plasticidade e flexibilidade tanto quanto uma rede de neurônios que se juntam e se espalham num movimento contínuo.

Os povos primitivos pisavam em símbolos e suas vidas estavam fincadas neles, o tempo todo. Suas ligações eram tão fortes como o paradoxo entre a vida e a morte num eterno conúbio. E criavam os seus micro-universos interligando, através dos símbolos, ao macro-universo.

Desde os hieróglifos egípcios até a mitologia grega, o poder e a força do símbolo, de maneira clara, agia sobre a sociedade e fazia uma ponte entre o mundo visível e invisível.

E vem caminhando desde a idade média, o Renascimento, o Barroco, até chegar à época atual, de forma incisiva. A única diferença é que os seres humanos atuais estão se desligando ou se distanciando cada vez mais do mundo simbólico por seu excesso de racionalismo e mecanicidade. Como diz Marilena Chauí “A linguagem simbólica leva-nos para dentro dela, arrasta-nos para seu interior pela força do seu sentido, de suas evocações, de sua beleza, de seu apelo emotivo e afetivo”.

O excesso de racionalidade provoca uma reação contrária, afinal, quando algo se instala e permanece por algum tempo, a tendência é decadência do mesmo, o que beneficia o outro lado da questão. Com isso, pode-se afirmar que o racionalismo está dando os seus últimos suspiros em nossa sociedade hiper moderna. Estamos à beira de um colapso, o que favorece o outro lado, isto é, já vem brotando no seio da sociedade uma busca desesperada pelos símbolos que estavam a se perder no tempo e no espaço, mas nunca se perdeu dentro do nosso inconsciente. Prova disso, podemos constatar em pleno século XXI, um ato real e ao mesmo tempo simbólico da derrubada de duas torres, que causou tumulto em todo o planeta modificando comportamentos e transformando a vida dos indivíduos, porque buscam entender o que está por trás de tudo isso. Entender um ato simbólico que causou a morte de muitas pessoas desencadeando uma guerra que vem perdurando. A sociedade e os indivíduos estão perplexos diante de tantos atos simbólicos que carregam em si e fora de si.

Elizabeth de Souza.


terça-feira, 30 de outubro de 2007

TYLER DURDEN




"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos
fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden - Clube da Luta)



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O CLUBE DA LUTA

O CLUBE DA LUTA

A angústia do ser humano em desconhecer quem realmente é e por não realizar o auto-conhecimento, leva-o a buscar alívio no cotidiano. Esse cotidiano que o acomoda e o vicia numa grande ilusão.

A confusão pertence ao ser humano... Uma condenação moderna que reflete o passado de uma humanidade, que mesmo na mais torpe miséria, “evolui”. A grande ilusão do mundo moderno torna os seres consumistas e medíocres para fugir da própria sombra, da inutilidade e da miséria. O tempo todo usando máscaras, num ritual de catarse e alívio.

O projeto inicial do ser humano, que é o auto-conhecimento e a busca de si mesmo, onde projeta o si, além do si, ficou relegado ao segundo plano. Essa falta de autenticidade condena-o à ruína e a náusea estonteante.

Essa existência reduzida traz angústia e caos. Mas essa angústia é o ponto de partida para reconduzir ao projeto inicial. Na possibilidade dessa angústia ser imparcial chega-se à reflexão sobre o esquecimento e desprezo pelo mesmo.

No momento da angústia o homem é só e está só e nada pode tirá-lo disso. Nada é causa e nada é efeito externo. Nesse momento caótico ele penetra totalmente, dentro de si mesmo, perdendo-se no Labirinto com o Minotauro no seu encalço. É preciso matar o Minotauro e encontrar o precioso FIO DE ARIADNE.

Tudo está por ser aniquilado e nada tem o valor que se atribui. Nesse momento só existe a angústia e a fumaça que confunde e ilude o tempo todo. Nesse estado de torpor abrem-se dois caminhos:

- Ou se retorna ao cotidiano (deixando-se devorar pelo Minotauro) e com isso, o alívio camuflando a angústia;

- Ou se transcende essa angústia, despertando (Fio de Ariadne) e dando um salto quântico.

Ao escolher o segundo caminho é possível, numa atitude de observação e análise, dar sentido ao emaranhado da existência. Através do poder da reflexão e da análise retoma-se a busca daquilo que é, abrindo o leque de possibilidades a “escolher”. Essa inquietação é criativa, mas também uma condenação do ser a estar com tudo nas mãos num estado constante de inacabamento.

Ao detectar a inutilidade do cotidiano pode-se dizer que houve uma superação da angústia. Dentro de um limite de espaço-tempo “acorda-se” para uma nova realidade que não se sabe qual é, mas com possibilidades de comprovação... Um nada, talvez! Vista com certa indiferença já que tudo é incerteza, apenas probabilidades.

Nesse momento é perceptível a vida escorrendo pelos vãos dos dedos até a hora derradeira onde advém a morte, única certeza, que parece real e plausível.

Esse impulso de vida e de morte é toda a causa do projeto inicial. Ao se refugiar no cotidiano, o homem “expulsa” os monstros que o atormentam. Na angústia, não há exclusão e sim aproximação de monstros, os mais horríveis.

No limiar da vida está a morte. No limiar da morte se encontra a vida.

A confusão se dá ao abandonarmos o projeto inicial e por isso, instintivamente agarra-se sempre naquilo que possa lembrar parcialmente do mesmo.

Eu, o reflexo de toda a humanidade, o que eu sou, você é. O outro existe para modificar-se a si mesmo. Cria-se um novo ser para a extensão de si, como um criador e uma criatura, estrutura do Frankstein. Um é o que o outro deseja ser. Encontra-se no outro o refúgio de si, mesmo quando tudo isso é monstruoso e desarticulado.

Quem é o herói, quem é o vilão?

Quem é o médico, quem é o monstro?

Quem é Teseu, quem é o Minotauro?

Quem sou eu, quem é você?

E tudo fica no limiar da consciência e da loucura...

“Só depois que perdemos tudo, é que estamos livres para fazer algo”. É preciso ser só e isso basta. A angústia, a depressão é a própria vida limitada e a guerra é espiritual...

Elizabeth