terça-feira, 30 de outubro de 2007

TYLER DURDEN




"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos
fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden - Clube da Luta)



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O CLUBE DA LUTA

O CLUBE DA LUTA

A angústia do ser humano em desconhecer quem realmente é e por não realizar o auto-conhecimento, leva-o a buscar alívio no cotidiano. Esse cotidiano que o acomoda e o vicia numa grande ilusão.

A confusão pertence ao ser humano... Uma condenação moderna que reflete o passado de uma humanidade, que mesmo na mais torpe miséria, “evolui”. A grande ilusão do mundo moderno torna os seres consumistas e medíocres para fugir da própria sombra, da inutilidade e da miséria. O tempo todo usando máscaras, num ritual de catarse e alívio.

O projeto inicial do ser humano, que é o auto-conhecimento e a busca de si mesmo, onde projeta o si, além do si, ficou relegado ao segundo plano. Essa falta de autenticidade condena-o à ruína e a náusea estonteante.

Essa existência reduzida traz angústia e caos. Mas essa angústia é o ponto de partida para reconduzir ao projeto inicial. Na possibilidade dessa angústia ser imparcial chega-se à reflexão sobre o esquecimento e desprezo pelo mesmo.

No momento da angústia o homem é só e está só e nada pode tirá-lo disso. Nada é causa e nada é efeito externo. Nesse momento caótico ele penetra totalmente, dentro de si mesmo, perdendo-se no Labirinto com o Minotauro no seu encalço. É preciso matar o Minotauro e encontrar o precioso FIO DE ARIADNE.

Tudo está por ser aniquilado e nada tem o valor que se atribui. Nesse momento só existe a angústia e a fumaça que confunde e ilude o tempo todo. Nesse estado de torpor abrem-se dois caminhos:

- Ou se retorna ao cotidiano (deixando-se devorar pelo Minotauro) e com isso, o alívio camuflando a angústia;

- Ou se transcende essa angústia, despertando (Fio de Ariadne) e dando um salto quântico.

Ao escolher o segundo caminho é possível, numa atitude de observação e análise, dar sentido ao emaranhado da existência. Através do poder da reflexão e da análise retoma-se a busca daquilo que é, abrindo o leque de possibilidades a “escolher”. Essa inquietação é criativa, mas também uma condenação do ser a estar com tudo nas mãos num estado constante de inacabamento.

Ao detectar a inutilidade do cotidiano pode-se dizer que houve uma superação da angústia. Dentro de um limite de espaço-tempo “acorda-se” para uma nova realidade que não se sabe qual é, mas com possibilidades de comprovação... Um nada, talvez! Vista com certa indiferença já que tudo é incerteza, apenas probabilidades.

Nesse momento é perceptível a vida escorrendo pelos vãos dos dedos até a hora derradeira onde advém a morte, única certeza, que parece real e plausível.

Esse impulso de vida e de morte é toda a causa do projeto inicial. Ao se refugiar no cotidiano, o homem “expulsa” os monstros que o atormentam. Na angústia, não há exclusão e sim aproximação de monstros, os mais horríveis.

No limiar da vida está a morte. No limiar da morte se encontra a vida.

A confusão se dá ao abandonarmos o projeto inicial e por isso, instintivamente agarra-se sempre naquilo que possa lembrar parcialmente do mesmo.

Eu, o reflexo de toda a humanidade, o que eu sou, você é. O outro existe para modificar-se a si mesmo. Cria-se um novo ser para a extensão de si, como um criador e uma criatura, estrutura do Frankstein. Um é o que o outro deseja ser. Encontra-se no outro o refúgio de si, mesmo quando tudo isso é monstruoso e desarticulado.

Quem é o herói, quem é o vilão?

Quem é o médico, quem é o monstro?

Quem é Teseu, quem é o Minotauro?

Quem sou eu, quem é você?

E tudo fica no limiar da consciência e da loucura...

“Só depois que perdemos tudo, é que estamos livres para fazer algo”. É preciso ser só e isso basta. A angústia, a depressão é a própria vida limitada e a guerra é espiritual...

Elizabeth

sábado, 29 de setembro de 2007

SINTO, LOGO EXISTO E PENSO FUTILIDADES!

É uma corrida louca/
Alucinante/
Quase chego ao sol/
E só o quase/
Não me deixa perdida/
Dentro de você/
Só o quase/
Faz-me lembrar/
Que estou no mundo/
E que no mundo/
Nada me satisfaz/
A vida/
O mundo/
O homem/
Todos me fragmentam/
Todos me despedaçam/
E só eu sei o jogo/
Pra montar/
Como um quebra-cabeça/
Meu Deus ( existe? Sente? É?)/
Nem o ópio/
Nem a Bíblia/
Nem a 9ª de Beethoven/
Podem curar essa dor/
Só aliviar/
Droga de existência:/
Eu queria que o Universo/
Fosse uma extensão de mim.../

Eliza/Beth





Nada pode curar essa dor, só aliviar... E o alívio está na luz, no som e na cor. Por um momento sutil sinto a poesia aliviando minha dor. E devolvo o alívio com palavras encantadas, apreciando o som e a grafia.

Nesses intervalos pueris, paramos o choro e brincamos. Enquanto os doces poetas sombrios cantam e choram músicas de dores, eu fico apenas em silêncio, apreciando. Sem movimento, escuto as canções, sentindo as delícias do prazer, do choro e da dor. Um emaranhado de gozos misteriosos! Queria falar a linguagem dos anjos inefáveis e da maneira mais pura expressar o meu gozo. Mas sou humana demais e só me resta sincronia. E as dores? Devoro-as como as ervas do meu quintal! O prazer está acima do bem e do mal? À sua sombra a luz irradia e eu penetro nas duas só para me deliciar.

E ao ver tanto sangue, derramado por entre minhas agonias, sinto apenas um desejo de lambê-lo só para sentir o gosto do vermelho, mais que o gosto, a gustação.

E essa condenação é inerente!

E nada pode me libertar!

E Prometeu é Lúcifer!

Você chora e eu brinco ou você brinca e eu choro?

A sua máscara é a minha verdadeira face e os seus sonhos, a minha realidade. E essa dor atroz que nos invade e que nos consome é o resquício perdido em Eras mezozóicas. Estúpidas lembranças arqueológicas.

Doce criatura sombria a sua poesia pulsa fúnebre num cortejo as minhas. Só a poesia nos liberta desse monstro de nós mesmos.

Não sei quem sou eu e nem você quem é, mas cresce um desejo de penetrar mais fundo nas palavras, entranha-las e faze-las brotar poesia!

Elizabeth

terça-feira, 18 de setembro de 2007

VOCÊ VAI ME PERDER PARA SEMPRE


Como poderia perder algo que já se possui?

Como poderia ganhar ou perder, dar liberdade ou usurpar se dentro de nós existe toda sorte de liberdade e toda sorte de desenganos?

Dentro de nós é tudo tão natural e não contribuímos em nada para isso. Simplesmente somos. E como tudo, não criamos e não perdemos, só nos transformamos como lagartas em borboletas coloridas, voadoras salientes que chocam nossas débeis retinas desconexas.

Mas o verbo tem poder, a palavra é forte, uma energia poderosa que se desprende das nossas bocas e não sabemos o suficiente para compreender a extensão.

Ao pronunciar “para sempre” é como se fosse eterno. Uma corrente elétrica violenta o frescor das células, dando lugar a um calor adrenalínico. O medo ilusório encobre a consciência. O sentimento e o pensamento colhem isso como uma “verdade”. É num lapso se escuta o estrondo do trovão em meio a uma violenta tempestade sem fim. O desespero se instala levado pela ilusão do segundo.

Ao sentir você saindo de mim, espalham-se o estremecimento e a agonia em meu corpo porque não queria lhe perder para sempre. Um momento de impulso e sobrevivência.

No outro segundo, a compreensão vem chegando vagarosamente e pousa tranquila. E só então as palavras ressoam serenas aos ouvidos mágicos de quem as escuta. E num gesto metalinguístico me estendo diante de tudo quanto é horizonte só para mostrar que sou vertical.

Só tive medo de nunca mais poder segurar suas belas mãos e nunca mais beijar seus olhos profundos e nem abraçar o seu corpo quente ou cheirar os seus cabelos molhados. Só foi isso, mais nada! Foi por isso que me tornei tão humana diante de um segundo enlouquecedor. A fragilidade me pegou de jeito, mas tudo isso é necessário para quebrar o orgulho de ser divina. Esse segundo enlouquecedor da perda, é um ritual... Uma tentativa de rompimento do elo. Um ritual de rompimento, essa mania de inventar coisas...

O nosso texto, já virou um contexto. Eu sou o poema e as palavras e depois trocamos as posições num gesto arbitrário e sincronizado. Enfim, não se distingue mais qual é o coração que bate mais forte. O seu ser me completa! E nele, está todo o entendimento dos meus impulsos decadentes. E nesse amor trivial de deuses travestidos em humanos, cavalgamos espaços em vassouras mágicas. Deuses que devoram estrelas num gesto canibalístico ou cabalístico? O desejo transcende e dança, criando universos.

O meu êxtase sem fim é sugar a sua essência, interpenetrando na minha, num gesto andrógino e intenso.

Se a profundidade é um vício, a vulgaridade é uma droga. Quanto mais profundo, mais dolorido. Não há outra saída e essa é, a única possibilidade da viagem louca para dentro de mim.

Nunca perderia você para sempre. Não se perde o que se é. É impossível romper-se. Existe por si só e sem um pingo de dó ludibria nossas mentes vãs. É o amor das mil faces que tenho em mim, estão todas entrelaçadas às suas mil. Para cada face, a outra face que nos oferecemos de graça, só para achar graça em tudo que fazemos. E não minto “quando juro amor sem fim”

O meu amor é o prana que alimenta minhas entranhas sequiosas de amplidão. É o amor de vôos etéricos, alturas plenas, abismos cósmicos, silêncio de mantrans. O feminino e o masculino num eterno conúbio, ultrapassando os limites de espaços, tornando-se uma unidade perfeita. A mesma substância e a mesma energia.

Vamos fazer de conta que está indo buscar um copo de água para matar minha sede. Vou ficar esperando a água para me saciar. Enquanto isso, Correrá o mundo, vestindo muitas fantasias, criará laços e por fim esquecerá do meu copo d’água. De repente, lembra da sua verdadeira origem que termina sempre em mim. E eu lá, esperando o copo d’água por séculos. Então, chegará o nosso novo encontro: a minha sede e o seu líquido! E não é preciso rastrear seus passos, com toques ou retoques, com tatos e contatos, apenas a percepção plena das cores, dos sons e dos símbolos. Tudo isso, porque não tenho a palavra adequada pra por na “boca malvada da sua descerebração”.

Enquanto não rompemos os laços momentaneamente, vamos passear juntos pelos jardins e esplanadas, só para não se perder do todo. Não nos cansemos nem nos desgastemos em vão, só vamos olhar um para o outro sem se desviar, apenas e tão apenas para não se perder do todo.

Enquanto não há fusão só vamos falando da sede e da água, como um mantran que nos mantêm ligados a esse cordão invisível.

Fique mais um pouco comigo, porque o tempo e o espaço é uma mera ilusão dos nossos sentidos. Fique mais alguns segundos para que eu possa re-lembrar.

A sua presença é uma luz que irradia em mim feito néon e quando alçar meu vôo, levo você comigo arrebatando-o sem dor nem piedade, pois sei que está ligado a minha natureza cruel. Uma luz que jamais se extinguirá! 

Elizabeth

domingo, 9 de setembro de 2007

NOBRE GUERREIRO

Caminho trôpega pelas estradas humanas, com o tédio dos que não encontram a plenitude.

Afinal, o conhecimento me alimenta cá e me deixa faminta acolá.

Vivo caminhando insaciável, parando em todos os oásis que encontro... Com essa fome inexplicável, de fruta que não existe... Tudo tão incerto e ao mesmo tempo tão definido.

Entremeio a esses paradoxos, meu ser, num "desespero agradável" (Désespoir agréable) se envolve na mais pura realidade: apenas ser e mais nada.

Permaneço como uma efígie criada por mim mesma em meio a uma multidão de seres multiplicados.

De repente, algo inusitado, alguém tão parecido... Será uma miragem? Fico muda e sem ação. Uma semelhança que entorpece e inebria.

Não consigo compreender essa raridade e quando não se conhece o âmago das coisas, ficamos à mercê das dúvidas mais cruéis. Dúvidas que movem e a tudo gira.

Nessa roda de Samsara que pode ser o seu último giro. E por que afirmo isso? Invejo seu destino, nobre guerreiro, quem me dera fosse o meu último também e definitivamente, pudesse inexistir. Mas sei, sinto a condenação ao degredo e a busca do verdadeiro ouro e do verdadeiro elixir. Mas é tão difícil distinguir entre eu e eu, não é mesmo? E entre eu e você?

Fico então sem palavras e sem ação... No mais torpe dos anseios em desvendar esse mistério... Ao mencionar sua força de Guerreiro Xamâ, dá ênfase à minha fragilidade... E quando demonstra sua fragilidade, desperta minha força. Que simbiose mais estranha! E eu, fascinada pela força masculina, ousada e determinada... Perco-me em devaneios tolos, diante da graça e da beleza. Mas, pensar não é a melhor solução, melhor seguir os instintos. Fico divagando sobre esse fascínio que exerce sobre mim. 

Viver atraída pelas Forças da Natureza, resulta nisso... Estou aqui, inebriada com suas palavras de encanto. E como desencantar, se não tenho o Caduceu de Mercúrio? E nem asas nos pés para fugir? O sabre de luz foi lançado num espaço desconhecido e o cálice sagrado arde-se em fervuras vaporosas. Tudo está fora. Dentro, só tenho essa vaga noção de onde estou e que tudo é uma mera ilusão dos meus sentidos, sem sentido...

E aquilo que parece ser, não é! Então, o que realmente é?

Elizabeth

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A CONSCIÊNCIA DESPERTA


Ao sentir a vida humana tão limitada, consigo por entre as brechas mais diminutas, enxergar a essência encoberta, quase definhando, quase desaparecendo. O seu ponto ínfimo de luz ainda clareia a minha consciência, remexendo a pontinha da cauda da serpente, o que me faz em delírios diante do Universo, da Vida e do Ser. Isso é fugir à realidade e medo de sofrer, dizem alguns. É o espírito de aventura do descobridor, que reside em mim. Quero ver o ponto de luz no meio da escuridão. Vislumbrar todas as cores contidas no branco. Desejo incontrolável de penetrar na parte e na contraparte, na face e na contra face, no espelho e na imagem. E não me dou por satisfeita e quero reunir as duas partes e transforma-las em uma só e ao mesmo tempo numa terceira. No absoluto? Esse navegar pelo relativo me é tão entedioso e fugaz. O prazer é relativo!!! A dor também é... Quero o verdadeiro prazer, aquele que é a síntese de todas as partes. E se não posso tê-lo, prefiro o nada que me contem. Medo se sofrer? Não! É não dar o gosto, é a rebeldia, é a revolta de ter tão pouco. Prazer? Dor? Eu compreendo o fino fio que os separa, e por isso quero ir além. Utopia? Nunca trilhei outro caminho a não ser o da busca incessante por ultrapassar a velocidade da luz. Uma desventurada aventura de saber quem sou eu, o que sou e para que, sou. A única coisa que sei é que preciso de Sacros Ofícios para vencer os deslizes, as viagens, os apegos. E principalmente, é preciso coragem e destreza para roubar o fogo do diabo, que não está em outro lugar, senão dentro de mim mesma. Céu e Inferno dançam ciranda em minha psique, uma parte dessa néscia criatura, que busca o fogo incessante para queimar-se por inteira. É Fohat, tudo está em mim e isso é um fato, questionável pela incompreensão da natureza humana.

Basta fechar os olhos e vislumbrar o verdadeiro ser. Basta tampar os ouvidos e ouvir o verdadeiro som, o verdadeiro verbo, basta calar os sentidos, para sentir a verdade, quase absoluta. Um átomo de vida que parece inatingível. Energia atômica e eletrônica se entrelaçando num emaranhado de teias, num movimento caótico e desordenado.

O teatro, a pantomina faz parte do meu cotidiano... Uma brincadeira de criança. Brinco dia e noite e essa é a contraparte da aventura tão séria, da qual estou arraigada e flutuante. A trajetória do vôo, parece brincadeira e nos faz rir feito loucos... Gargalhar da ironia desse destino sem destino, que está destinado a nada, pois o mergulho é peculiar e só os bons nadadores voltam à tona para contar como é o fundo do poço.

Quando ouço falarem dos homens e da vida, me dá uma tontura filosófica, não por incompreensão ao que é dito, mas porque conseguem torná-la mais trágica ainda. E uma dor profunda junto a uma leve impressão que não vamos entender o fogo e a luz, que são os únicos botes salva vidas... Barco... Arco ou arca?

O fogo que queima e devora, precisa ser devorado. A luz que tudo atravessa, precisa ser atravessada.

A eloqüência, tão bela ferramenta da laringe criadora pode jogar a humanidade mais fundo do que já está, mas também pode levantar os seres no mais alto das montanhas azuis com puro oxigênio.

As ondas luciféricas, tão necessárias, me fazem levantar a cabeça e enxergar mais um vão, por onde caem as criaturas. E a guerra santa, inicia-se de forma brutal. E cada partícula do ser e a sua contra partícula buscam o conúbio... Expressam, no mundo físico, Eros e Psique, os habitantes do mundo multidimensional que está muito além do bem e do mal.

Quando penso, sinto, sou e escrevo é para expressar a minha essência da forma mais completa que puder. Uma essência incontida, dentro de uma matriz na matrix.

A Grande Lei manifesta-se no meu mundo microcósmico nas atitudes mais pueris como na formação de conceitos, os mais complexos. Eu sou o átomo e a molécula e o pulsar do meu sangue é o mesmo pulsar dos quasares. Tudo é a mesma energia, a mesma substância. Como negar o óbvio? Basta olhar o céu numa noite estrelada e ver a si mesmo estampado no espaço, numa proporção tão diminuta, que chega a doer.

Contradições? Incoerências? Estamos todos fincados nisso como gosmas grudadas, porque não temos Consciência desperta.

Consciência para captar no momento, todo o evento, em sua plenitude. Não basta detectar para depois comprovar... É preciso viver, ser e saber naquele momento, sem perder nenhum detalhe.

A velha e a nova ordem mantida pelo desejo e a vaidade estão à beira dos destroços... Quero saber, tim-tim por tim-tim o que fica por trás da minha cabeça e da cabeça do outro, porque o outro é a extensão de toda experiência.

Quando vivo e experimento as duas faces de uma mesma moeda é para transcender as multiplicidades e penetrar a unidade. Essa aventura de entranhar a menor partícula, é um desejo banal de ser o átomo viajando no elétron.

Enquanto isso não se dá, a aventura é um ensaio e erro constantes e as conclusões variam conforme os sentidos e vão desde o intelecto até as intuições mais puras.

Bom, comigo ou sem migo, com isso ou sem isso é preciso ser forte, porque só os fortes sobrevivem a esse impasse. A busca é uma ânsia louca que só aos loucos pertence e eu vivo nessa loucura...

Elizabeth

terça-feira, 14 de agosto de 2007

ONDAS DIONÍSICAS



Você não é você, não é ele, não é nada, ninguém.

Mas é, nas entrelinhas desse olhar bestial, mestre nos disfarces humanos. Esconde-se de tudo, de mim, mas o vejo de perfil, permeio seus gestos artificiais e suas brincadeiras cruéis.

A pele é macia, a figura, uma fantasia de filme de época.

O corpo leve, como uma brincadeira de criança. A energia sutil e perigosa, bastaria tocar na pele do seu rosto para sentir a realidade.

Você ri da minha ingenuidade, do meu gesto infantil.

Quisera tocá-lo profundamente, mas está tão distante, foge dos meus encantos e o seu canto só eu sei, é o cântico dos cânticos.

Aparece e desaparece, passa o tempo brincando e eu o cultuo, presto minhas reverências, sentindo o auspício da sua presença.

Você me dá uma chave e um corredor com muitas portas. Eu corro ansiosa, tentando uma por uma. Volto o rosto, escuto sua risada sarcástica.

É um enigma perigoso... Vejo no canto da sua boca, além da prova real, escorrer o vinho que me embriaga. E na busca da liquidez do delírio, perco a razão.

A lucidez dá lugar ao êxtase, sinto-me só, mas não causo pena. Você espera o meu triunfo num carro amarelo com sete velocidades diferentes. Não me dá o privilégio de tocar-lhe o âmago; não me dá de beber do seu êxtase, sem limites.

Vem em ondas, deslizo devagar... Um suor quente escorre pelo meu pescoço, sinto as pernas vibrarem, não consigo controlar.

As pernas entre pernas, são as minhas próprias penas, arraigadas ao pó da terra, não me permitem voar.

Sacia-me com essa liquidez avermelhada e num gesto mutante, crio asas como Pégasus.

Deixe-me flutuar no éter até o Sol de Sírio, em troca, só tenho um girassol.

Não aprecio do seu vinho? Não conheço o seu sabor? Não distinguo o seu cheiro? Não reconheço suas ondas?

Ensina-me então, a Ciência/Arte da transmutação...

Então você me olha, com esse olhar humano, disfarçando o brilho, usando um corpo falso, uma pele falsa, pernas como tantas pernas, tanto quanto iguais as minhas, para me enganar.

E eu, choro... Por não alcançar sua essência, penetrar o seu íntimo, tornar-me o elétron e desvendar os mistérios da criação.

Com esse olhar bestial, olhar dos deuses hilariantes, não me traia doze vezes, não me castigue dezesseis, mostre-me a verdade, tal como é...

Abaixe a cortina, quero vislumbrar a beleza plena da luz, fale comigo e me leve até a porta... Então, abraça-me apertado e beije meu umbigo... Segure nas minhas mãos e nunca me deixe. E num gesto impulsivo, me gire no espaço, Virtual Criatura Andrógina, transmutando-se em pura energia eletrônica e despedaçando-me em sons mágicos.

Elizabeth