quinta-feira, 15 de novembro de 2007

DIANTE DO IMPROVÁVEL



Diante do improvável nos deitamos em camas de faquires, só para mostrar que as perfurações sangram....E que toda aquela história que não vai doer nada, é tudo balela...É tudo historinha para boi dormir... Bois e gente também.

Afinal o que gente tem melhor do que boi? Até hoje, não descobri essa superioridade natural... Bom, mas eu sou suspeita para falar disso, pois adoro os animais, principalmente os felinos... E sabem por que? Porque eles são muito espertos e ficam bem longe de gente... Ficam só observando esses seres de duas patas e espreitando até o momento de devorá-los, afinal, menos um significa mais um.

Mas também acho que gente não é melhor do que as plantas, pois uma rosa vermelha, com cheiro original é bem mais interessante do que gente fútil... Falando em pessoas fúteis, essa semana, observei um comentário muito interessante sobre isso: um cearense disse que prefere conversar com uma linda velhinha com alma de poeta, do que qualquer “patricinha” linda por fora e vazia por dentro...hahaha, ele é da legião estrangeira... Pode?

Bem, mas voltando aos umanos, também acho que eles não são melhores do que pedras... Afinal, ao caminhar por lindas estradas de terra e ao avistar uma que brilha, pinta um desejo de colecionar os brilhos... Nossa, que êxtase!!! E pensar que um diamante corta qualquer vidro e até aço... Um diamante é inconquistável! As pedras vão se polindo e se transformando sempre em coisas mais interessantes... Apesar de que os umanos também se transformam, temos que admitir, mas em coisas não tão interessantes assim... Mas gostam de grafites nos muros do mundo... Vivem grafitando tudo.

Bom, acho que estou falando mal de umanos, não posso esquecer que sou uma... ai,ai,ai, que sina!!!

Elizabeth

terça-feira, 13 de novembro de 2007

SÍMBOLOGIA


SIMBOLOGIA

A Simbologia representa tudo aquilo que não é concreto, isto é, o símbolo evoca o que é abstrato, o que está ausente. Como diz, Rubem Alves, “É a presença de uma ausência”.

O mundo está impregnado por símbolos que são universais, locais e particulares. Universal porque transcende o espaço e particular por estar ligado a uma época específica.

A linguagem simbólica é enriquecida de imagens que foram dispostas e analisadas sob o ponto de vista da alquimia, filosofia, alegoria, enfim, desencadeando diferentes teorias e interpretações, mostrando a busca incessante do ser humano em dar significado aos seus atos, tentando desvendar os mistérios ocultos da linguagem.

O ser humano busca na Ciência, na Arte, na Filosofia e no Místico o significado para todos os fenômenos. E essa busca, enriquecida ou empobrecida pela razão e pelo sentimento, vem abrindo as portas para uma nova visão de mundo no momento atual, onde se considera todos os aspectos da realidade se interagindo.

Desde os primórdios dos tempos, o símbolo vem sendo usado pelos seres humanos para expressar os seus comportamentos e atitudes, demonstrando com isso, certa plasticidade e flexibilidade tanto quanto uma rede de neurônios que se juntam e se espalham num movimento contínuo.

Os povos primitivos pisavam em símbolos e suas vidas estavam fincadas neles, o tempo todo. Suas ligações eram tão fortes como o paradoxo entre a vida e a morte num eterno conúbio. E criavam os seus micro-universos interligando, através dos símbolos, ao macro-universo.

Desde os hieróglifos egípcios até a mitologia grega, o poder e a força do símbolo, de maneira clara, agia sobre a sociedade e fazia uma ponte entre o mundo visível e invisível.

E vem caminhando desde a idade média, o Renascimento, o Barroco, até chegar à época atual, de forma incisiva. A única diferença é que os seres humanos atuais estão se desligando ou se distanciando cada vez mais do mundo simbólico por seu excesso de racionalismo e mecanicidade. Como diz Marilena Chauí “A linguagem simbólica leva-nos para dentro dela, arrasta-nos para seu interior pela força do seu sentido, de suas evocações, de sua beleza, de seu apelo emotivo e afetivo”.

O excesso de racionalidade provoca uma reação contrária, afinal, quando algo se instala e permanece por algum tempo, a tendência é decadência do mesmo, o que beneficia o outro lado da questão. Com isso, pode-se afirmar que o racionalismo está dando os seus últimos suspiros em nossa sociedade hiper moderna. Estamos à beira de um colapso, o que favorece o outro lado, isto é, já vem brotando no seio da sociedade uma busca desesperada pelos símbolos que estavam a se perder no tempo e no espaço, mas nunca se perdeu dentro do nosso inconsciente. Prova disso, podemos constatar em pleno século XXI, um ato real e ao mesmo tempo simbólico da derrubada de duas torres, que causou tumulto em todo o planeta modificando comportamentos e transformando a vida dos indivíduos, porque buscam entender o que está por trás de tudo isso. Entender um ato simbólico que causou a morte de muitas pessoas desencadeando uma guerra que vem perdurando. A sociedade e os indivíduos estão perplexos diante de tantos atos simbólicos que carregam em si e fora de si.

Elizabeth de Souza.


terça-feira, 30 de outubro de 2007

TYLER DURDEN




"Você abre a porta e entra
Está dentro do seu coração
Imagine que sua dor é uma bola de neve que vai curar você
Esta é sua vida
É a última gota pra você
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
Que acaba um minuto por vez
Isto não é um seminário
Nem um retiro de fim de semana
De onde você está não pode imaginar como será o fundo
Somente após uma desgraça conseguirá despertar
Somente depois de perder tudo, poderá fazer o que quiser
Nada é estático
Tudo é movimento
E tudo esta desmoronando
Esta é sua vida
Melhor do que isso não pode ficar
Esta é sua vida
E ela acaba um minuto por vez
Você não é um ser bonito e admirável
Você é igual à decadência refletida em tudo
Todos
fazendo parte da mesma podridão
Somos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Nem as roupas que usa
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intestino
Você não é o carro que dirige
Você não é suas malditas calças
Você precisa desistir
Você precisa saber que vai morrer um dia
Antes disso você é um inútil
Será que serei completo?
Será que nunca ficarei contente?
Será que não vou me libertar de suas regras rígidas?
Será que não vou me libertar de sua arte inteligente?
Será que não vou me libertar dos pecados e do perfeccionismo?
Digo: você precisa desistir
Digo: evolua mesmo se você desmoronar por dentro
Esta é sua vida
Melhor do isso não pode ficar
Esta é sua vida
e ela acaba um minuto por vez
Você precisa desistir
Estou avisando que terá sua chance"

(Tyler Durden - Clube da Luta)



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O CLUBE DA LUTA

O CLUBE DA LUTA

A angústia do ser humano em desconhecer quem realmente é e por não realizar o auto-conhecimento, leva-o a buscar alívio no cotidiano. Esse cotidiano que o acomoda e o vicia numa grande ilusão.

A confusão pertence ao ser humano... Uma condenação moderna que reflete o passado de uma humanidade, que mesmo na mais torpe miséria, “evolui”. A grande ilusão do mundo moderno torna os seres consumistas e medíocres para fugir da própria sombra, da inutilidade e da miséria. O tempo todo usando máscaras, num ritual de catarse e alívio.

O projeto inicial do ser humano, que é o auto-conhecimento e a busca de si mesmo, onde projeta o si, além do si, ficou relegado ao segundo plano. Essa falta de autenticidade condena-o à ruína e a náusea estonteante.

Essa existência reduzida traz angústia e caos. Mas essa angústia é o ponto de partida para reconduzir ao projeto inicial. Na possibilidade dessa angústia ser imparcial chega-se à reflexão sobre o esquecimento e desprezo pelo mesmo.

No momento da angústia o homem é só e está só e nada pode tirá-lo disso. Nada é causa e nada é efeito externo. Nesse momento caótico ele penetra totalmente, dentro de si mesmo, perdendo-se no Labirinto com o Minotauro no seu encalço. É preciso matar o Minotauro e encontrar o precioso FIO DE ARIADNE.

Tudo está por ser aniquilado e nada tem o valor que se atribui. Nesse momento só existe a angústia e a fumaça que confunde e ilude o tempo todo. Nesse estado de torpor abrem-se dois caminhos:

- Ou se retorna ao cotidiano (deixando-se devorar pelo Minotauro) e com isso, o alívio camuflando a angústia;

- Ou se transcende essa angústia, despertando (Fio de Ariadne) e dando um salto quântico.

Ao escolher o segundo caminho é possível, numa atitude de observação e análise, dar sentido ao emaranhado da existência. Através do poder da reflexão e da análise retoma-se a busca daquilo que é, abrindo o leque de possibilidades a “escolher”. Essa inquietação é criativa, mas também uma condenação do ser a estar com tudo nas mãos num estado constante de inacabamento.

Ao detectar a inutilidade do cotidiano pode-se dizer que houve uma superação da angústia. Dentro de um limite de espaço-tempo “acorda-se” para uma nova realidade que não se sabe qual é, mas com possibilidades de comprovação... Um nada, talvez! Vista com certa indiferença já que tudo é incerteza, apenas probabilidades.

Nesse momento é perceptível a vida escorrendo pelos vãos dos dedos até a hora derradeira onde advém a morte, única certeza, que parece real e plausível.

Esse impulso de vida e de morte é toda a causa do projeto inicial. Ao se refugiar no cotidiano, o homem “expulsa” os monstros que o atormentam. Na angústia, não há exclusão e sim aproximação de monstros, os mais horríveis.

No limiar da vida está a morte. No limiar da morte se encontra a vida.

A confusão se dá ao abandonarmos o projeto inicial e por isso, instintivamente agarra-se sempre naquilo que possa lembrar parcialmente do mesmo.

Eu, o reflexo de toda a humanidade, o que eu sou, você é. O outro existe para modificar-se a si mesmo. Cria-se um novo ser para a extensão de si, como um criador e uma criatura, estrutura do Frankstein. Um é o que o outro deseja ser. Encontra-se no outro o refúgio de si, mesmo quando tudo isso é monstruoso e desarticulado.

Quem é o herói, quem é o vilão?

Quem é o médico, quem é o monstro?

Quem é Teseu, quem é o Minotauro?

Quem sou eu, quem é você?

E tudo fica no limiar da consciência e da loucura...

“Só depois que perdemos tudo, é que estamos livres para fazer algo”. É preciso ser só e isso basta. A angústia, a depressão é a própria vida limitada e a guerra é espiritual...

Elizabeth

sábado, 29 de setembro de 2007

SINTO, LOGO EXISTO E PENSO FUTILIDADES!

É uma corrida louca/
Alucinante/
Quase chego ao sol/
E só o quase/
Não me deixa perdida/
Dentro de você/
Só o quase/
Faz-me lembrar/
Que estou no mundo/
E que no mundo/
Nada me satisfaz/
A vida/
O mundo/
O homem/
Todos me fragmentam/
Todos me despedaçam/
E só eu sei o jogo/
Pra montar/
Como um quebra-cabeça/
Meu Deus ( existe? Sente? É?)/
Nem o ópio/
Nem a Bíblia/
Nem a 9ª de Beethoven/
Podem curar essa dor/
Só aliviar/
Droga de existência:/
Eu queria que o Universo/
Fosse uma extensão de mim.../

Eliza/Beth





Nada pode curar essa dor, só aliviar... E o alívio está na luz, no som e na cor. Por um momento sutil sinto a poesia aliviando minha dor. E devolvo o alívio com palavras encantadas, apreciando o som e a grafia.

Nesses intervalos pueris, paramos o choro e brincamos. Enquanto os doces poetas sombrios cantam e choram músicas de dores, eu fico apenas em silêncio, apreciando. Sem movimento, escuto as canções, sentindo as delícias do prazer, do choro e da dor. Um emaranhado de gozos misteriosos! Queria falar a linguagem dos anjos inefáveis e da maneira mais pura expressar o meu gozo. Mas sou humana demais e só me resta sincronia. E as dores? Devoro-as como as ervas do meu quintal! O prazer está acima do bem e do mal? À sua sombra a luz irradia e eu penetro nas duas só para me deliciar.

E ao ver tanto sangue, derramado por entre minhas agonias, sinto apenas um desejo de lambê-lo só para sentir o gosto do vermelho, mais que o gosto, a gustação.

E essa condenação é inerente!

E nada pode me libertar!

E Prometeu é Lúcifer!

Você chora e eu brinco ou você brinca e eu choro?

A sua máscara é a minha verdadeira face e os seus sonhos, a minha realidade. E essa dor atroz que nos invade e que nos consome é o resquício perdido em Eras mezozóicas. Estúpidas lembranças arqueológicas.

Doce criatura sombria a sua poesia pulsa fúnebre num cortejo as minhas. Só a poesia nos liberta desse monstro de nós mesmos.

Não sei quem sou eu e nem você quem é, mas cresce um desejo de penetrar mais fundo nas palavras, entranha-las e faze-las brotar poesia!

Elizabeth

terça-feira, 18 de setembro de 2007

VOCÊ VAI ME PERDER PARA SEMPRE


Como poderia perder algo que já se possui?

Como poderia ganhar ou perder, dar liberdade ou usurpar se dentro de nós existe toda sorte de liberdade e toda sorte de desenganos?

Dentro de nós é tudo tão natural e não contribuímos em nada para isso. Simplesmente somos. E como tudo, não criamos e não perdemos, só nos transformamos como lagartas em borboletas coloridas, voadoras salientes que chocam nossas débeis retinas desconexas.

Mas o verbo tem poder, a palavra é forte, uma energia poderosa que se desprende das nossas bocas e não sabemos o suficiente para compreender a extensão.

Ao pronunciar “para sempre” é como se fosse eterno. Uma corrente elétrica violenta o frescor das células, dando lugar a um calor adrenalínico. O medo ilusório encobre a consciência. O sentimento e o pensamento colhem isso como uma “verdade”. É num lapso se escuta o estrondo do trovão em meio a uma violenta tempestade sem fim. O desespero se instala levado pela ilusão do segundo.

Ao sentir você saindo de mim, espalham-se o estremecimento e a agonia em meu corpo porque não queria lhe perder para sempre. Um momento de impulso e sobrevivência.

No outro segundo, a compreensão vem chegando vagarosamente e pousa tranquila. E só então as palavras ressoam serenas aos ouvidos mágicos de quem as escuta. E num gesto metalinguístico me estendo diante de tudo quanto é horizonte só para mostrar que sou vertical.

Só tive medo de nunca mais poder segurar suas belas mãos e nunca mais beijar seus olhos profundos e nem abraçar o seu corpo quente ou cheirar os seus cabelos molhados. Só foi isso, mais nada! Foi por isso que me tornei tão humana diante de um segundo enlouquecedor. A fragilidade me pegou de jeito, mas tudo isso é necessário para quebrar o orgulho de ser divina. Esse segundo enlouquecedor da perda, é um ritual... Uma tentativa de rompimento do elo. Um ritual de rompimento, essa mania de inventar coisas...

O nosso texto, já virou um contexto. Eu sou o poema e as palavras e depois trocamos as posições num gesto arbitrário e sincronizado. Enfim, não se distingue mais qual é o coração que bate mais forte. O seu ser me completa! E nele, está todo o entendimento dos meus impulsos decadentes. E nesse amor trivial de deuses travestidos em humanos, cavalgamos espaços em vassouras mágicas. Deuses que devoram estrelas num gesto canibalístico ou cabalístico? O desejo transcende e dança, criando universos.

O meu êxtase sem fim é sugar a sua essência, interpenetrando na minha, num gesto andrógino e intenso.

Se a profundidade é um vício, a vulgaridade é uma droga. Quanto mais profundo, mais dolorido. Não há outra saída e essa é, a única possibilidade da viagem louca para dentro de mim.

Nunca perderia você para sempre. Não se perde o que se é. É impossível romper-se. Existe por si só e sem um pingo de dó ludibria nossas mentes vãs. É o amor das mil faces que tenho em mim, estão todas entrelaçadas às suas mil. Para cada face, a outra face que nos oferecemos de graça, só para achar graça em tudo que fazemos. E não minto “quando juro amor sem fim”

O meu amor é o prana que alimenta minhas entranhas sequiosas de amplidão. É o amor de vôos etéricos, alturas plenas, abismos cósmicos, silêncio de mantrans. O feminino e o masculino num eterno conúbio, ultrapassando os limites de espaços, tornando-se uma unidade perfeita. A mesma substância e a mesma energia.

Vamos fazer de conta que está indo buscar um copo de água para matar minha sede. Vou ficar esperando a água para me saciar. Enquanto isso, Correrá o mundo, vestindo muitas fantasias, criará laços e por fim esquecerá do meu copo d’água. De repente, lembra da sua verdadeira origem que termina sempre em mim. E eu lá, esperando o copo d’água por séculos. Então, chegará o nosso novo encontro: a minha sede e o seu líquido! E não é preciso rastrear seus passos, com toques ou retoques, com tatos e contatos, apenas a percepção plena das cores, dos sons e dos símbolos. Tudo isso, porque não tenho a palavra adequada pra por na “boca malvada da sua descerebração”.

Enquanto não rompemos os laços momentaneamente, vamos passear juntos pelos jardins e esplanadas, só para não se perder do todo. Não nos cansemos nem nos desgastemos em vão, só vamos olhar um para o outro sem se desviar, apenas e tão apenas para não se perder do todo.

Enquanto não há fusão só vamos falando da sede e da água, como um mantran que nos mantêm ligados a esse cordão invisível.

Fique mais um pouco comigo, porque o tempo e o espaço é uma mera ilusão dos nossos sentidos. Fique mais alguns segundos para que eu possa re-lembrar.

A sua presença é uma luz que irradia em mim feito néon e quando alçar meu vôo, levo você comigo arrebatando-o sem dor nem piedade, pois sei que está ligado a minha natureza cruel. Uma luz que jamais se extinguirá! 

Elizabeth

domingo, 9 de setembro de 2007

NOBRE GUERREIRO

Caminho trôpega pelas estradas humanas, com o tédio dos que não encontram a plenitude.

Afinal, o conhecimento me alimenta cá e me deixa faminta acolá.

Vivo caminhando insaciável, parando em todos os oásis que encontro... Com essa fome inexplicável, de fruta que não existe... Tudo tão incerto e ao mesmo tempo tão definido.

Entremeio a esses paradoxos, meu ser, num "desespero agradável" (Désespoir agréable) se envolve na mais pura realidade: apenas ser e mais nada.

Permaneço como uma efígie criada por mim mesma em meio a uma multidão de seres multiplicados.

De repente, algo inusitado, alguém tão parecido... Será uma miragem? Fico muda e sem ação. Uma semelhança que entorpece e inebria.

Não consigo compreender essa raridade e quando não se conhece o âmago das coisas, ficamos à mercê das dúvidas mais cruéis. Dúvidas que movem e a tudo gira.

Nessa roda de Samsara que pode ser o seu último giro. E por que afirmo isso? Invejo seu destino, nobre guerreiro, quem me dera fosse o meu último também e definitivamente, pudesse inexistir. Mas sei, sinto a condenação ao degredo e a busca do verdadeiro ouro e do verdadeiro elixir. Mas é tão difícil distinguir entre eu e eu, não é mesmo? E entre eu e você?

Fico então sem palavras e sem ação... No mais torpe dos anseios em desvendar esse mistério... Ao mencionar sua força de Guerreiro Xamâ, dá ênfase à minha fragilidade... E quando demonstra sua fragilidade, desperta minha força. Que simbiose mais estranha! E eu, fascinada pela força masculina, ousada e determinada... Perco-me em devaneios tolos, diante da graça e da beleza. Mas, pensar não é a melhor solução, melhor seguir os instintos. Fico divagando sobre esse fascínio que exerce sobre mim. 

Viver atraída pelas Forças da Natureza, resulta nisso... Estou aqui, inebriada com suas palavras de encanto. E como desencantar, se não tenho o Caduceu de Mercúrio? E nem asas nos pés para fugir? O sabre de luz foi lançado num espaço desconhecido e o cálice sagrado arde-se em fervuras vaporosas. Tudo está fora. Dentro, só tenho essa vaga noção de onde estou e que tudo é uma mera ilusão dos meus sentidos, sem sentido...

E aquilo que parece ser, não é! Então, o que realmente é?

Elizabeth